segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu só quero ser feliz!


Eu só quero ser feliz!

Com certeza esse é o desejo todos nós que habitamos neste abençoado planeta.
Muitos questionam sobre os motivos que me levaram a abraçar durante muitos anos o Judaísmo e a abandonar – dizem eles – o Cristianismo, mais propriamente a Igreja Evangélica. Não me alongarei em explicações e só decidi escrever a respeito por acreditar que outras pessoas possam estar vivendo a mesma situação na qual me encontrei há alguns anos.

Creio que a fé é questão de foro íntimo e não deve ser imposta a quem quer que seja, por esta razão não influencio, intimido ou obrigo nenhum familiar a seguir os meus passos. Todos permanecem cristãos evangélicos e me orgulho deles, porque sei da sinceridade de cada um deles em relação a Deus.
Sou Bacharel em Teologia, formado por um Seminário Batista e sei separar perfeitamente os cristãos sinceros dos fanáticos de “plantão”.
Meditando acerca dos acontecimentos atuais e do comportamento de grande parte da Humanidade, posso, com toda certeza, afirmar que apesar de buscar intensamente ser feliz, na verdadeira acepção da palavra, eu não era e se continuasse crendo da mesma maneira, dificilmente poderia me considerar uma pessoa plenamente feliz.
Pode parecer que sou pessimista ou depressivo e que na minha visão tudo que existe no mundo é sem graça e que a felicidade é impossível a todos, mas esse não é o meu caso. Penso que podemos ser felizes aqui e agora, desde que façamos as escolhas certas e sigamos em frente, reconhecendo nossas limitações e permitindo que Deus trabalhe em nossas imperfeições. Com isso, acredito que ainda poderemos alcançar a tão esperada felicidade.
Antes de continuar vamos estabelecer certas verdades nas quais eu creio:
1)    Creio em um Deus de infinita misericórdia e amor que criou o Universo e tudo que nele existe e que provê os meios necessários para que suas criaturas estabeleçam com Ele uma relação de Pai e filho;
2)    Creio que todos nós fomos criados para sermos felizes;
3)    Creio que a maldade existente no mundo é fruto da ignorância e da crueldade humana e que nada têm a ver com a predestinação de cada um para fazer o bem ou o mal, quando da sua criação, muito menos pela semente do pecado que, dizem alguns, existi em cada um de nós.
4)    Creio que devemos viver integralmente os ensinamentos Bíblicos, assim como nos foram transmitidos e não como alguns líderes os têm passado.
Sendo assim, porque me sentia infeliz dentro da Igreja Evangélica?
Olhando para a Igreja Cristã da qual fiz parte por muitos anos – e da qual me desliguei por questões puramente teológicas – e para os seus ensinamentos, não consigo ver neles os aspectos que creio existirem em Deus e que estão estampados nas Sagradas Escrituras. E não são poucos os questionamentos que cercavam a minha mente e ficavam sem respostas concretas e palpáveis, porque as respostas clássicas dadas pelos líderes cristãos não satisfazem nem convencem a ninguém que verdadeiramente vê em Deus um Pai amoroso e misericordioso.
Eu não podia me considerar feliz aceitando o ensinamento de que um Deus misericordioso que cria a todo instante espíritos para viverem neste mundo e que em criando-os destine uns para o gozo eterno e outros para a perdição eterna, pois sendo Ele Onisciente, sabe de antemão os que serão bem-sucedidos e os que fracassarão em sua caminhada.
Eu não podia ser feliz quando via pessoas arrogantes e preconceituosas que por reconhecerem a Jesus como Senhor e Salvador pessoal herdarão a vida eterna enquanto outras, simples e ignorantes, mas honestas e bondosas, estarão fadadas ao fracasso e à condenação eterna por professarem uma fé diferente daquela estabelecida e entendida como sendo a única forma de se agradar a Deus.
Eu não podia ser feliz aceitando a possibilidade de que se um homem como Hitler se arrependesse de suas crueldades nessa existência e entregasse sua vida a Jesus, tivesse, nesse simples gesto, mesmo que sincero, seus pecados perdoados imediatamente e fosse morar no Céu, vivendo uma vida de paz e alegria eternas, enquanto seis milhões de judeus foram diretamente para o Inferno, segundo o entendimento cristão, por não reconhecerem em Jesus o Messias esperado pelo povo judeu.
Eu não podia ser feliz aceitando o ensinamento de que Deus na sua Onisciência crie seres que habitarão as mais remotas partes do mundo e que nunca ouvirão falar acerca de Jesus, da sua vida e dos motivos que o trouxeram a este mundo – segundo os ensinamentos cristãos – e por essa razão sofrerão as penas do fogo eterno, assim como acontecerá com tantos muçulmanos, animistas e tribos isoladas que nunca ouviram e com toda certeza nunca ouvirão falar acerca de Jesus.
Eu não podia ser feliz diante do ensinamento de que as crianças que nascem com deficiências físicas e mentais estejam destinadas a sofrerem nesta e na outra vida, porque não tendo consciência de quem são nem de que exista um Deus que as criou, não tenham a possibilidade de se arrependerem dos “pecados” cometidos, muito embora passem por esta vida sem nem saberem quem na verdade são ou o que fazem aqui, quanto mais terem compreensão de que se tornaram pecadoras porque foram geradas em pecado segundo esse entendimento religioso.
Eu não podia ser feliz aceitando passivamente que enquanto algumas pessoas nascem na mais profunda miséria moral e física, vivendo em meio às guerras e vendo na morte do inimigo a única forma de sobrevivência, irem para o Inferno, enquanto outras que nascem em palácios, cercadas de criados, com inúmeras possibilidades na vida, levando uma vida fútil e sem proveito, apesar de um dia terem dito que reconheceram o sacrifício de Jesus na cruz do calvário e por esse simples gesto já estão com seus nomes inscritos no Livro da Vida, pois “uma vez salvo, sempre salvo”, ou seja: quem entregou a sua vida a Jesus não pode perder a sua salvação, apenas receber menos galardão nos Céus.
Se você tem respostas convincentes para essas questões, por favor me diga quais são, mas por favor não venham me dizer que são os mistérios de Deus se cumprindo e que todos temos as mesmas oportunidades de praticar o bem ou o mal, porque da forma como são colocados hoje em dia esses argumentos não se sustentam.
Peçamos a Deus o entendimento necessário para esses questionamentos e que Ele nos ajude a respondê-los de forma a nos convencermos integral e não superficialmente, pois eles ajudarão muitos à nossa volta, que neste momento se fazem as mesmas perguntas e não encontram respostas que lhes satisfaçam o coração e principalmente a razão.




Muita paz a todos!

(בן  ברוך) Ben Baruch

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