segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Como pedir desculpas.

Um mestre chassídico (piedoso) certa vez perguntou a seus discípulos: "Se vocês se perderem numa floresta, é melhor que seja a pé ou a cavalo?"
"É claro que o melhor é se perder andando a pé" – respondeu um dos discípulos. "Você não
estaria perdido tão longe como se estivesse a cavalo."
A isso o Rebe (Rebe Menachem Mendel Schneerson) replicou: "É melhor se perder estando montado a cavalo. Porque no minuto em que você notar que está perdido, pode sair da floresta muito mais depressa."
Durante nossa jornada pela vida com freqüência nos perdemos. Cometemos erros. Isso é inevitável. Quanto tempo demoramos para reparar nossos erros quando os descobrimos – isso é que faz a verdadeira diferença na qualidade de nossa vida.
Algumas pessoas consideram muito difícil abordar alguém a quem magoaram, e desculpar-se pelo sofrimento que talvez tenham causado. Quantos relacionamentos pessoais e profissionais poderiam ter sido salvos, quantos lares desfeitos teriam sido evitados, quantos afastamentos entre pais e filhos teriam sido resolvidos – se uma das partes envolvidas tivesse tido a coragem de encarar a outra pessoa e dizer: "Sinto muito!" Ainda que acreditemos não tê-lo feito com más intenções ou que não erramos, mesmo assim podemos nos desculpar pela dor que a outra pessoa sofreu.

Admiro a enfermeira que, antes de dar uma injeção, diz ao paciente: "Desculpe, mas isso vai doer." Embora suas ações sejam em benefício do paciente, ela ainda se desculpa pela dor que vai causar a ele."
Algumas pessoas ficam preocupadas ao dizer "Sinto muito". Talvez pensem que ao fazê-lo estarão admitindo que erraram. Talvez temam o que pode acontecer se sua desculpa for rejeitada. No entanto, receberíamos mais respeito do próximo se tivéssemos a coragem de nos desculpar. Tudo que diríamos seria: Sou mais inteligente hoje do que fui ontem, e aprendi alguma coisa nova.

"É nossa ira que nos faz entrar numa briga" – disse certa vez um sábio – "e nosso ego que nos faz continuar nela."
Certa vez, quando eu estava me desculpando com um velho amigo, ele sorriu e disse-me: "Eu gostaria de ter sido tão corajoso quanto você, e pedido desculpas." Nossa antiga amizade foi restaurada e hoje está muito mais forte do que jamais esteve antes.

Como se desculpar? Apenas faça isso. Com freqüência, é preciso apenas dar uma volta com o cavalo e sair da floresta.
Yaakov Lieder

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Reencarnação - Visão Judaica- Parte II


O tema de “guilgul neshamot”, reencarnação de almas, não é mencionado explicitamente na Torá (Pentateuco Mosaico). No Zôhar, por outro lado, em Parashat Mishpatim (Parashat são porções semanais lidas na sinagoga, extraídas da Torá), os segredos da reencarnação são discutidos exaustivamente. São então mais detalhados pelo Rabi Yitschac Luria (Ari), em um livro dedicado a este assunto, Shaar Haguilgulim, o Portal da Reencarnação.
Há uma razão para não encontrarmos qualquer menção explícita de reencarnação no Tanach (somente por meio de insinuações e pistas). D'us deseja que o homem seja completamente livre para fazer aquilo que deseja, para que possa ser totalmente responsável por suas ações. Se alguém soubesse explicitamente que com certeza reencarnaria se deixasse de retificar suas ações, poderia permanecer indiferente e apático. Poderia deixar de fazer todo o possível para acelerar sua evolução pessoal. Acreditando que não poderia ter qualquer influência no curso de sua vida, talvez renunciasse à toda responsabilidade, e deixasse tudo nas mãos do "destino."
Em Shaar Haguilgulim, o Ari explica que Adam (Adão) tinha uma alma universal que incluía aspectos de toda a criação [i.e., todo anjo individual e todo animal individual - todos tiveram de dar uma parte da própria essência a Adam; apenas como um reflexo em miniatura de todo o universo ele poderia ser conectado a toda criação, e elevá-la ou rebaixá-la...]. Sua alma também incluía todas as almas da humanidade em uma unidade mais elevada. Eis por que até mesmo uma ação de sua parte poderia ter efeito tão poderoso. Depois que ele comeu da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, sua alma foi fragmentada em milhares de milhares de centelhas (fragmentos e fragmentos de fragmentos), que subseqüentemente tornaram-se revestidas/encarnadas em todo ser humano que viria a nascer e está vivo agora. A função principal dessas almas-centelhas é efetuarem todas juntas a retificação que Adam deveria fazer sozinho.
Facilitando o trabalho
É importante entender a diferença entre uma grande alma universal toda abrangente em uma parte, por um lado, e parti-la em muitos pedaços, (espalhadas por diversos corpos) por outro lado. Há dois motivos para isso:
1 - Em uma grande alma toda abrangente, é difícil discernir as partes (as almas individuais) porque ainda estão conectadas a uma grande unidade. Este não é o caso quando toda e cada alma-centelha toma um corpo separado. Podemos então reconhecer a singularidade de cada uma e as características específicas de cada uma delas.
Ao final, todas as almas retornarão àquele nível mais elevado de Unidade do qual todas se originaram, mas em um nível mais elevado (i.e., retornando à Unidade, mas conservando a individualidade especial pela qual trabalharam e adquiriram).
2 - A segunda razão ou diferença é que muitas almas diferentes desempenhando um papel pequeno, mas importante para retificar a criação é "mais fácil" que quando todas estão juntas.
Por analogia, isso é como uma carga pesada que precisa ser movida de um lugar para outro. É mais fácil muitas pessoas fazerem sua parte e carregarem aquilo que conseguem de toda a carga, que para uma única pessoa tentar carregar tudo sozinha.
O mesmo aplica-se a Adam. Quando ele comeu da Árvore do Conhecimento, danificou todas as almas que eram parte dele. Sua alma unificada foi subseqüentemente separada em várias partes, cada uma destinada a nascer em um corpo diferente, de tal forma que toda e cada uma conseguiria consertar seu pequeno pedaço da grande alma de Adam da qual faz parte, de forma que ao final todos se reunissem novamente como uma só.
Baseado nisso, o Or Hachaim Hacadosh explica por que as gerações iniciais viveram centenas de anos. Somente quando as gerações diminuíram em estatura espiritual a duração da vida das pessoas baixou para 70 ou 80 anos. A razão para isso é porque as gerações anteriores tiveram almas muito amplas e abrangentes. Eles, portanto, precisavam de mais tempo em cada vida para consertar aquilo que era preciso. Quando não utilizaram suas vidas longas para este propósito, por exemplo, a geração do Dilúvio, suas almas foram diminuídas e fragmentadas em pessoas "menores" com menos iluminação de alma, a fim de fazer a obra de retificação "mais fácil" para esta pessoa. Eis por que a vida das pessoas tornou-se menor.
Do ponto de vista do sistema em geral, todas estas almas ainda fazem parte de uma grande alma que é dividida e encarnada em incontáveis corpos distintos, geração após geração.
Disso vemos que a alma é uma luz Divina que dá vida ao corpo, que por sua vez torna-se um veículo para a alma, capaz de revelar suas (i.e., do corpo) qualidades distintas. Isso é similar ao poder da eletricidade que flui em um aparelho e o liga. A corrente elétrica, em si, não pode ser vista. Podemos apenas percebê-la por intermédio do aparelho que estamos usando. Por exemplo, podemos conectar um aquecedor ou um ventilador, uma máquina de lavar ou uma secadora em uma tomada elétrica, e ver que as diferenças entre cada aparelho devem-se a ligeiras modificações em seus mecanismos - aquecer versus esfriar, lavar versus secar, - em vez de na corrente elétrica que os faz trabalhar.
Da mesma forma, podemos entender que todos os corpos diferentes que jamais existiram eram todos manifestações de uma grande alma. As diferenças entre elas está nos diferentes corpos nos quais encarnaram, pois nenhum corpo assemelha-se ao próximo (cada encarnação é completamente única). Eis por que nosso corpo deve ser enterrado para retornar ao elementos básicos dos quais é composto. A alma, por outro lado, que dá vida ao corpo, é eterna. Assim, os corpos de cada geração de almas que nascem são comparados aos muitos pares de vestes que são tiradas quando a pessoa sobe aos céus.
A Lei da Conservação da Energia
A física moderna chegou a conclusões similares. A energia é sempre conservada. Quando um objeto físico queima ou apodrece, a energia, ou configuração da energia, ou informação contida naquele objeto físico não é destruída. Simplesmente passa para uma outra forma. Isso é na verdade o mesmo que dissemos sobre as almas. Uma alma é vida e energia, como declara a Torá: "[D'us] soprou uma alma viva em suas narinas." De acordo com isso, vemos novamente que a soma total de encarnações de todas as gerações é realmente aquela de uma grande alma - Adam - que passa por muitos corpos. Em cada geração, e em cada corpo, assume uma forma diferente. No fim, qualquer mudança que ocorrer, ocorrerá nos corpos.
Mais de uma alma habitando um único corpo
Há um outro tipo de reencarnação que pode ocorrer quando a pessoa ainda está viva. O Ari chama esta forma de reencarnação de Ibur.
Acredita-se geralmente que a reencarnação ocorre depois que a pessoa deixa este mundo, após a morte do corpo, quando então, ou pouco depois, a alma transmigra para outro corpo. Ibur não funciona assim. Envolve receber uma alma nova (mais elevada) em algum ponto da vida da pessoa. Ou seja, uma nova alma vem até o coração da pessoa enquanto ainda está viva. A razão pela qual isso é chamado Ibur, gestação ou gravidez, é porque esta pessoa torna-se "grávida" com esta nova alma enquanto ainda está viva. Este fenômeno é a profunda explicação por trás de certas pessoas que passam por mudanças drásticas em sua vida. Passam por uma mudança mental sobre determinadas coisas ou mudam seu estilo de vida, e por meio disso ascendem ao próximo nível espiritual. Isso também é incluído sob o título geral de encarnação, porque estão agora abrigando uma nova alma [ou um aspecto de sua própria alma ou uma alma mais elevada da qual faz parte] a fim de ser um veículo para a retificação daquela alma. Isso é o que ocorre quando uma pessoa está pronta para avançar na evolução de sua alma.
Eis por que a alma tem cinco nomes, um mais elevado que o outro, nefesh, ruach, neshamá, chaya e yechidá. Segundo o Zôhar, os quatro níveis inferiores da alma geralmente entram numa pessoa durante sua vida em Ibur: Primeiro, a pessoa recebe nefesh ao nascer; então quando merece, recebe ruach; quando merece, recebe neshamá; quando merece, recebe chaya. Quanto mais alto o nível, mais rara é esta ocorrência. Muito poucos jamais mereceram chegar a neshamá, muito menos chaya. Ninguém jamais recebeu o nível mais elevado, yechidá. Adam o teria recebido, se não tivesse pecado.
Os nomes de personalidades bíblicas que voltaram em reencarnação
No Shaar Haguilgulim do Ari, encontramos muitos exemplos de almas transmigradas. Moshê (Moisés), por exemplo, foi uma reencarnação de Hevel (Abel) e Shet (Seth, filho de Noé), conforme seu nome indica (o Mem de Moshê representa Moshê, o Shin representa Shet, e o Hê representa Hevel). O sogro de Yaacov (Jacó), Lavan (Labão), mais tarde é reencarnado como Bilam (durante a época de Moshê) e Naval (durante o tempo de David). Rabi Akiva foi uma reencarnação de Yaacov. Os dez irmãos de Yossef que o venderam foram castigados tendo de reencarnar em dez grandes tanaim, os dez mártires que foram mortos pelos Romanos. A realidade da reencarnação também pode nos ajudar a entender porque, D'us não o permita, criancinhas morrem. São almas que devem descer ao mundo por um breve tempo, para fazerem uma quantidade mínima de retificação. Em seguida estão livres para partir.
Reencarnação no Reino Mineral, Vegetal, Animal e Humano
Já mencionamos o princípio de que tudo contém um poder que lhe dá vida. Num ser humano, este poder é realmente Divino, sendo chamado de neshamá. Os animais também possuem uma alma, chamada de alma animalesca. As plantas e outros seres que crescem têm uma alma vegetativa. A matéria inerte também contém uma porção daquele poder, chamado nefesh.
Uma alma humana pode também encarnar nestas formas inferiores como punição por seus pecados. Em Shaar Haguilgulim, o Ari traz inúmeros exemplos dessas encarnações, nas quais a alma de uma pessoa que praticou o mal deliberadamente, dependendo da gravidade do pecado, entra em várias formas de matéria inerte ou orgânica, ou em animais. Somente após uma jornada longa e árdua, tal alma pode voltar e ser reencarnada como ser humano novamente, e por fim tornar-se purificada o suficiente para retornar à sua Fonte.
Baseado em um artigo por Rabi Avraham Brandwein
Chabad

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

IMAGINE


IMAGINE

Imagine que não há paraíso       
É fácil se você tentar         
Nenhum inferno abaixo de nós 
E acima de você apenas o céu   
Imagine todas as pessoas           
Vivendo para o hoje          
           
Imagine não existir países           
Não é difícil de fazê-lo      
Nada pelo que lutar ou morrer    
E nenhuma religião também      
Imagine todas as pessoas           
Vivendo a vida em paz     
           
Talvez você diga que        
eu sou um sonhador        
Mas não sou o único        
Desejo que um dia
você se junte a nós           
E o mundo, então, será como um só    
           
Imagine não existir posses          
Surpreenderia-me se você conseguisse          
Sem ganância e fome      
Uma irmandade humana
Imagine todas as pessoas           
Compartilhando o mundo
           
Você pode dizer     
Que eu sou um sonhador
Mas não sou o único        
Desejo que um dia
Você se junte a nós          
E o mundo, então, será como um só

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Com toda a certeza John Lennon não foi o melhor exemplo a ser seguido, mas deixou-nos um legado musical e filosófico que até hoje ainda é reconhecido pela maioria dos críticos que o conheceram ou simplesmente admirado por todos nós que víamos nele um ser humano como outro qualquer, sujeito aos mesmos erros e acertos e que passou por esse planeta para cumprir suas provas rumo à ascensão espiritual a que todos estamos destinados, mas que tinha um sonho: o de que fossemos como um só povo, uma só nação e pudéssemos viver em paz.
Viver em um mundo onde as pessoas se preocupem mais umas com as outras, independente de suas formas de buscar e adorar ao Criador de todas as coisas não deve ser entendido como uma realização utópica, mas como uma realidade possível, desde que cada um de nós esteja disposto a fazer a sua parte nesse processo evolutivo.
Infelizmente, John foi vítima da própria violência que combatia. Pacifista por natureza não conseguia enxergar no seu próximo uma ameaça aparente, mas sempre um igual, um semelhante e por essa razão se tornou tão vulnerável ao ataque insano de alguém que dizendo amá-lo, preferiu tirar-lhe a vida terrena a compartilhar o objeto de seu amor com as outras criaturas.
Hoje nos contentamos com as velhas canções que ele compôs e que teimam em não permanecer com suas idades iniciais, mas querem estar sempre representando o hoje, pois as letras por ele escritas ainda repercutem em nossos ouvidos e corações como se as tivéssemos ouvindo pela primeira vez, causando-nos o mesmo impacto e transportando-nos para os mesmos lugares e situações de outrora.
Vamos imaginar um mundo de paz e harmonia, mas mais que isso, procure tornar realidade o “sonho” desse grande “sonhador”, que com toda certeza está espalhando seu otimismo a todos que o cercam no mundo espiritual, esperando o momento do seu retorno a esse planeta ou quem sabe aguardando tão-somente a hora de gritar com toda a humanidade: ENFIM A PAZ!
Muita paz a todos!
Ben Baruch