segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A capacidade de questionar


             
            Não há palavras suficientes para descrever o mal, não há imagens gráficas, não há uma imaginação suficientemente doentia para descrever aquilo que nossos avós, irmãos e irmãs, filhos e filhas, bebês e crianças ainda não nascidas suportaram nas garras dos seus assassinos.
Seis milhões de judeus foram assassinados por um motivo e um único motivo. Porque eram judeus. Para nossos inimigos, não importava se o judeu era uma pessoa assimilada ou muito religiosa. Um judeu era um judeu.

Nossos inimigos conseguiram arrancar barbas, torcer a pele, empunhar armas, arrancar dentes e gaseificar corpos. Porém não conseguiram penetrar nas mentes, corações, almas e espíritos. A neshamájudaica nunca foi diminuída, apenas enfraquecida.


A cada ano que passa, devemos relembrar o horror, e como o nosso povo morreu. Porém o mais importante, devemos nos lembrar como eles viveram.



Porém o mais notável, talvez miraculoso, é que havia judeus que se apegavam à Torá – o código moral e legal que tem orientado nossa vida desde o Sinai – durante toda a sua provação. Nos guetos, nos campos de concentração, nas marchas rumo à morte, eles continuaram a consultar a Torá em busca de orientação, fazer perguntas aos seus rabinos e líderes espirituais. Do prático ao moral e ao filosófico, as perguntas demonstram a fé que aqueles mártires tinham no seu Criador, e a que ponto desejavam cumprir Sua vontade.

A maioria das perguntas e respostas nunca foi registrada, e sobre o que elas eram, praticamente tudo isso ficou perdido nos escombros e nas cinzas. Felizmente, alguns preciosos volumes sobreviveram, e são um testemunho daquilo que nosso povo tolerou.
[Uma dessas obras é a Responsa do Holocausto, de Rabi Ephraim Oshry.]
Soldados alemães atormentando judeus - Olkusz, sul da Polônia (31 de julho de 1940)

Estes judeus se preocupavam em saber o que deveriam ou não fazer, segundo a Torá. Quando o mundo não fazia mais sentido, eles ainda procuravam certificar-se de que suas ações, palavras e pensamentos eram puros e sagrados. Quando o mundo ignorou D’us e Seus mandamentos, eles determinaram que não o fariam.
Ao ler estas perguntas e respostas, a pessoa fica abalada pela sensibilidade, o carinho e a consideração sobre cada uma. Mas talvez ainda mais notável que as respostas em si seja o próprio fato de que as perguntas nunca foram feitas, e a maneira pela qual estas almas preciosas parecem não ver nada de "heróico" no fato de as estarem fazendo, considerando-se simplesmente judeus vivendo como judeus.

Uma mulher no gueto que tinha acabado de dar à luz queria saber se poderia circuncidar seu bebê antes do oitavo dia, pois ela temia que ele não vivesse sequer uma semana. Esta mãe amorosa desejava assegurar que pelo menos ele morreria como um judeu circuncidado.

As pessoas perguntavam se deveriam ou não recitar bênçãos sobre os alimentos quando a comida não era casher, ou se poderiam recitar as preces matinais antes do nascer do sol, pois esta seria a única hora em que não seriam notadas.

Um homem muito doente foi avisado que estava fraco demais para jejuar em Yom Kipur, e portanto proibido de fazê-lo segundo a Lei da Torá. Ele implorou para saber se mesmo assim poderia abster-se de comer. Embora tivesse sido não observante durante toda a vida, ele queria morrer sabendo que tinha jejuado em seu último Yom Kipur.
Judeus do Gueto de Lublin sendo levados aos trens
para serem deportados para Sobibor, o campo da morte (1942)
Um pai queria saber se poderia salvar seu único filho, selecionado para a morte certa, por meio de suborno, sabendo que caso seu filho fosse salvo, outro morreria em seu lugar.

Uma mãe perguntou se poderia matar seu bebê de maneira indolor, pois no dia seguinte eles viriam pegar todas as crianças, e talvez atirassem sua filha de três meses de um telhado ou então diretamente no fogo.

Havia judeus que perguntavam as frases certas, e depois praticavam cuidadosamente a bênção que é recitada quando alguém está sendo assassinado al kidush Hashem, pela santificação do nome de D’us.

Estas questões não foram respondidas com base em opiniões ou sentimentos pessoais. Estes judeus queriam saber o que a lei da Torátinha a dizer sobre estes temas, e era obrigação dos rabinos encontrar as respostas. Esta não era a primeira vez que estas perguntas tinham sido feitas ou respondidas. Somos um povo que sabe muito sobre sofrimento e perseguição. E somos um povo que sempre quis fazer aquilo que é certo, o que é sagrado, independentemente das circunstâncias.

A cada ano que passa, devemos relembrar o horror, e como o nosso povo morreu. Porém o mais importante, devemos nos lembrar como eles viveram. E ao fazê-lo, honramos a dignidade, o poder e a fé que estes judeus tiveram. A coragem da fé é muito mais poderosa do que a covardia do ódio.

Nossos inimigos tentaram nos tornar untermenschen– sub-humanos. Tentaram nos aniquilar, livrar o mundo dos judeus. Mas eles não sabiam com quem estavam lidando. Não sabiam o que significa ser judeu. Pois o judeu não é aquele que meramente se esforça para ser humano. O judeu é aquele que se esforça para ser Divino. E isso nunca, nunca, pode ser destruído.

Sara Esther Crispe
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Sara Esther Crispe é escritora, conferencista inspirada e mãe de quatro filhos. Ela e o marido, Eabi Asher Crispe, atualmente são eruditos-residentes no Chabad do Sudoeste da Flórida.
           
           
                                              

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O melhor alimento do mundo.


O MELHOR ALIMENTO DO MUNDO


É comum nos dias de hoje ouvirmos as pessoas falarem acerca da necessidade de se manter uma alimentação saudável. Dizem os especialistas, que ela deve ser balanceada, a fim de conter o máximo de nutrientes possíveis sem que haja a necessidade de ser consumida excessivamente.
Os benefícios dessa dieta alimentar são evidentes e na maioria dos casos inquestionáveis, exceção feita aos exageros a que alguns se entregam no afã de terem o corpo desejado, segundo o estereótipo idealizado pela sociedade atual.
Apesar de todos os benefícios apresentados, muitos não têm o menor interesse em praticá-la, outros ainda, com o decorrer do tempo acabam negligenciando-a e um sem número de adeptos a abandonam completamente, por entendê-la “complicada” demais.
No âmbito espiritual a situação não é muito diferente.
A Palavra de Deus, a Bíblia, deve ser o nosso principal alimento diário. A sua “ingestão” provoca em nós reações inquestionáveis de bem-estar, paz e alegria, pois trata-se do melhor alimento do mundo. No entanto, até mesmo o Povo de Deus em dado momento acabou deixando-o de lado e depois da “desnutrição” aparente, procurou de todas as formas voltar-se a Ele e ser “alimentado” por Sua Palavra.
Um bom exemplo disse pode ser visto no exílio em Babilônia.
Durante muitos anos o povo de Israel ficou cativo em Babilônia, mais precisamente 70 anos, mas através de um decreto do rei Ciro, Esdras e Neemias foram recrutados para regressarem a Israel a fim de reconstruírem os muros da Cidade de Jerusalém e o Templo Sagrado.
Durante a narrativa do capítulo 8 do Livro de Neemias (8.1-18) percebemos que aquelas pessoas tinham um desejo real em ouvir a Palavra de Deus.
No versículo 3 vemos que os ouvidos do povo estavam atentos ao Livro da Lei: E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.”

“... atentos ao Livro da Lei”. Quantos de nós, hoje em dia, temos estado com os ouvidos atentos ao que a Palavra de Deus nos revela?

Certamente poucos.
Vivemos em uma época na qual as transformações sociais e tecnológicas ocorrem com uma velocidade espantosa. Desenvolve-se um determinado equipamento em um dia e no seguinte está praticamente sucateado e com essas mudanças tão rápidas não estamos acostumados a realmente prestar muita atenção aos acontecimentos cotidianos.
Vivemos na época do consumismo por excelência. Buscamos conforto para nossos corpos cansados e para a nossa mente à beira de um estresse profundo; desenvolvemos carros confortáveis, velozes e teoricamente seguros; equipamos nossos policiais com armas cada vez mais potentes e mortais e, apesar de nossos mais sinceros esforços, percebemos que de certa forma as pessoas vivem sedentária e isoladamente e têm cada vez mais necessidade de recorrer a remédios para dormir. Os crimes e a violência aumentam a proporções inacreditáveis no mundo inteiro.
Buscando os motivos que levaram aquele povo a ser escravizado durante tanto tempo podemos perceber que um deles – senão o principal – foi porque seus ouvidos não se preocupavam mais em “estar atentos” ao que Deus lhes falava.
E esse é um comportamento comum ao ser humano: desde a criação, o homem parece disposto a ouvir a tudo e a todos, menos ao seu Criador.

Muitas vezes o motivo de nosso sofrimento está relacionado intimamente ao fato de não darmos ouvidos ao que Deus nos fala.

Provérbio 16.25 diz que: “Há um caminho que ao homem parece perfeito, mas ao fim conduz à morte.”

À medida que o Livro era lido, o povo chorava, porque o que estava sendo relatado não era uma estorinha para crianças dormirem nem um conto folclórico para distrair seus ouvintes, mas a sua própria história daquele povo.
Durante aquela narrativa emocionada e reveladora puderam perceber o quanto Deus os amava e o quanto eles O desprezavam. Puderam perceber o quanto Ele procurava estar com eles e o quanto se afastavam dEle.
Deus levantou um homem, Abraão, para dele fazer uma grande nação que o adorasse e servisse. Deu-lhe poder, riqueza e sabedoria que confundia os seus adversários infinitamente mais numerosos, que não compreendiam como aquele pequeno povo conseguia vencer seus oponentes e se transformava cada vez mais em um Povo forte e temido após cada batalha.
Perceberam durante aquela narrativa o quanto estavam distantes daquele Deus maravilhoso e amoroso que os chamara para transformá-los em uma nação sacerdotal.
Choravam porque percebiam que apesar de tudo que haviam feito Ele ainda estava com eles.
Aqueles homens puderam perceber que o livramento que Deus lhes concedera e as vitórias nas guerras sobre os seus vizinhos era a mais pura demonstração de Seu amor por eles.

Hoje, através dos materiais de estudo disponíveis, podemos contemplar de forma clara, tudo aquilo que aconteceu àquele povo: as suas vitórias e derrotas, as lutas travadas contra seus inimigos e principalmente as lutas travadas contra si mesmos.
Lutar contra os inimigos externos é muito mais fácil do que lutarmos contra nós mesmos.
Contra um inimigo visível, empunhamos as armas e guerreamos. Se formos mais fortes e ágeis conquistaremos a vitória, mas contra nossos sentimentos, vaidades e pecados a coisa é bem diferente e por vezes a luta se torna mais cruenta do que a princípio podia parecer.

Você tem estado com os ouvidos atentos às Palavras que estão contidas na Palavra de Deus?
Aqueles homens perceberam que se tivessem dado ouvidos àquilo que Deus lhes falara, não teriam sofrido tanto, nem passado por tantas humilhações. Se tivessem estado com os ouvidos atentos, como agora estavam, teriam tido uma vida de vitórias e alegrias que somente Deus pode proporcionar.
Diante da comoção geral, Neemias levanta a voz e conforta seus corações para que não chorassem, mas se alegrassem, pois a sua força estava no fato de se alegrarem na presença do seu Deus.
Quando buscamos a Deus com sinceridade podemos perceber a transformação que ocorre no nosso interior:
As lutas parecem menores, os inimigos não são tão fortes assim, as dificuldades não são tão grandes como pensávamos, porque passamos a confiar que Deus está ao nosso lado, lutando por nós, assim como diz Isaías 43.13 “Agindo Eu, quem impedirá?”

Neste episódio narrado por Neemias podemos extrair ensinamentos preciosos para nos alegrarmos no Senhor:

Precisamos estar atentos para ouvir a voz de Deus (verso 3)
E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.”

Hoje em dia ouvem-se muitas vozes, muitas sendo proclamadas em nome de Deus, mas com o tempo percebemos que não condizem com aquilo que realmente Deus disse ao seu povo.
Quando buscamos a Deus em oração, falamos o tempo inteiro e não paramos para ouvir aquilo que Deus tem para nos dizer.
Muitos dizem não saber como é o timbre da voz de Deus, isso não é um problema porque nenhum de nós jamais ouviu materialmente a voz de Deus, mas certamente todos nós podemos ouvi-la através das páginas da Bíblia, que é o Manual de Deus para o ser humano. Ele nos criou e conhece cada parte do nosso corpo e alma e sabe do que necessitamos para termos uma vida plenamente feliz e realizada.
Quando estudamos a Palavra de Deus com amor é como se a voz do próprio Deus penetrasse em nossos ouvidos e descesse até o íntimo de nosso ser, lavando-nos e purificando-nos de todas as incertezas da vida presente.

Devemos ter reverência diante da Palavra de Deus (verso 5)
“Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.”
Muitas pessoas encaram a Palavra de Deus como um livro qualquer que pode ser deixado de lado quando dele não se faz uso.
Certa vez ouvi alguém dizer que a Bíblia quando está fechada é como um livro qualquer, porém adquire poder e vida quando a abrimos e meditamos em seu conteúdo.
Para nós, judeus, todavia, a Palavra de Deus é digna da maior reverência.
Quando nós, judeus, que somos chamados através dos séculos como o Povo do Livro, colocamos a Torá na estante, Ela deve ficar no lugar mais alto e na frente dos outros livros.Ela tem a primazia.
Após estudar a Torá e outros livros, os mestres da Torá e os religiosos, arrumam os livros sobre a mesa, porém a Torá deverá ficar na parte mais alta, sobre todos os demais.
Quando a Torá começa a se desfazer pelo uso e começa a ficar difícil de ser manuseada ela não é jogada no lixo como um “livro qualquer” nem é vendida como papel para ser reciclada, mas é enterrada em um cemitério, com toda a reverência que e a Palavra de Deus merece.

Precisamos conhecer verdadeiramente a Palavra de Deus (verso 8)
“Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia.”
Só existe uma maneira de conhecer verdadeiramente a vontade de Deus: Estudando a Sua Palavra.
“Lâmpada para meus pés é a tua Palavra” diz o Salmista Davi (Salmos 119.105).
Quando conhecemos a Palavra de Deus conseguimos compreender tudo o que acontece à nossa volta, os problemas que enfrentamos, as lutas que travamos e as vitórias que conquistamos.
Aqueles homens ficaram muito tempo afastados dessa Palavra, mas ao primeiro contato já sentiram a necessidade de vivê-La.
O mesmo deve acontecer conosco. Não basta apenas conhecer a Palavra de Deus é necessário vivê-La com toda intensidade.

Devemos nos alegrar na presença de Deus (versos 10-18)-
Agora eles sabiam que Deus estava no controle e que a partir daquele momento cumpririam com alegria a Sua vontade.
Durante a celebração da festa dos Tabernáculos ou Sucot (Cabanas) deixamos o conforto material de nossas casas e construimos cabanas e nelas habitamos por sete dias, para recordarmos que Deus manteve o povo de Israel por 40 anos no deserto, alimentando-o, protegendo-o e fortalecendo-o para conquistarem a tão sonhada terra da promessa.
Por essa razão, quando você estiver diante de um grande problema ou simplesmente estiver se sentido desamparado e perdido, não desanime nem se entregue ao abatimento, acreditando que não há ninguém que se preocupe com você e com a sua situação, busque conhecer e praticar a Palavra de Deus e verá o quanto você é importante para Ele.
Conheça o que Deus tem para aqueles que O buscam e você verá que grandes coisas o Eterno fará através de sua vida.

Querido amigo (a), nunca deixe de se alimentar da Palavra de Deus.
Ela é o melhor alimento que podemos encontrar neste mundo.

Como diz o Salmista: “Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca.” (Salmos 119.103)

Muita paz a todos!                    

(בן  ברוך) Ben Baruch

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Perdão, arrependimento e reconciliação.



Tudo o que fizermos até Rosh Hashaná e Iom Kipur pode selar o futuro de cada um de nós.
Os dez dias que medeiam Rosh Hashaná e Iom Kipur são conhecidos como os dez dias de Penitência ou Retorno. Penitência significa que devemos nos sentir
culpados e tentar remediar o mal que tivermos feito. Se formos suficientemente honestos, logo veremos que agimos mal mais de uma vez. Caso tenhamos enganado nosso semelhante, devemos pedir o seu perdão. Se o nosso pecado é não termos cumprido os mandamentos da Torá, devemos pedir perdão a D’us. Não há ninguém que saiba melhor onde pecamos que nós mesmos. É claro que podemos estar pecando sem termos consciência, mas, normalmente, uma pessoa honesta consigo mesma é quem melhor pode dizer se pecou ou não.
Certa manhã, um rabino fez a seguinte pergunta aos duzentos alunos da ieshivá: ”Quem dentre vocês admite que já pecou algum dia e quem entre vocês pode dizer que nunca pecou em nenhum momento de sua vida?”
Muitos dos estudantes levantaram suas mãos para mostrar que nunca haviam pecado e apenas alguns admitiram ter cometido algum pecado. O rabino então convidou todos os que admitiram ter pecado para que fossem à sua casa. Os que afirmaram nunca haverem pecado estavam muito contentes com eles próprios, afinal eles não seriam repreendidos pelo rabino. Os pecadores confessos se reuniram naquela noite e ficaram muito surpresos: uma grande festa havia sido preparada para eles. O rabino recebeu cada um deles com um alegre sorriso e os entreteve a noite inteira.
No dia seguinte, um dos estudantes perguntou ao seu mestre: “Por que merecemos ser tão bem recebidos após termos admitido que erramos e os nossos colegas, que nunca erraram, não foram convidados para esta maravilhosa recepção?”
O rabino respondeu na presença de todos os estudantes: “É claro que nenhuma pessoa poderá jamais afirmar nunca ter errado em algum momento de sua vida, mesmo com a melhor das intenções escorregamos aqui ou ali. A pessoa que afirma nunca ter feito nada de errado ou não é suficientemente honesta para reconhecer seus erros ou não tem suficiente entendimento para reconhecer que está errada. Eis por que eu preparei uma grande festa para os que foram honestos reconhecendo os seus erros em qualquer momento de suas vidas. Por esta razão temos orações nas quais confessamos humildemente os nossos erros e, se formos realmente sinceros, podemos ter a certeza que D’us nos perdoará. O mesmo se aplica em relação ao nosso semelhante. Se sabemos que outra pessoa está triste por nossa causa, com ou sem razão, devemos conversar e chegar a uma reconciliação. Se por outro lado, tivermos feito algo que o deixou muito zangado, devemos ter a coragem de pedir perdão”.
Poucas pessoas não nos perdoariam se demonstramos um arrependimento sincero pelo mal que causamos. Este é o momento onde devemos retificar tudo o que tivermos feito de errado durante o ano que passou. Se o fizermos sincera e honestamente, podemos ter certeza que seremos pessoas melhores e que o ano que ora se inicia será na verdade um ano feliz e abençoado para todos.
Rabino Yehuda Busquila

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Buscando fazer a vontade de Deus


Buscando fazer a vontade de Deus

É interessante observar o comportamento que muitos de nós temos quando surge diante de nós a possibilidade de mudar o meio em que vivemos; quando recai sobre nós a incumbência de alterar o rumo das coisas que nos cercam. Frequentemente oferecemos resistências às inovações. O novo nos assusta!
Normalmente, quando ainda não passamos por determinadas experiências e temos que enfrentá-las, preferimos nos omitir e temos sempre na ponta da língua a resposta para essas situações: dizemos que temos os pés no chão e por isso não nos aventuramos para não corrermos riscos desnecessários; mas no fundo sabemos que o que nos falta muitas vezes é a coragem necessária para enfrentar desafios. 
Falta-nos a coragem necessária para enfrentar os opositores que quase sempre são os mais próximos de nós, os da nossa própria casa. Isso porque aqueles que nos cercam dificilmente crêem na nossa mudança, na nossa transformação para melhor, mas quando mudamos para pior todos aceitam naturalmente e dizem “Fulano só poderia dar nisso, ele nunca valeu nada mesmo!”. 
Por essa razão a mudança é difícil, mas muitas vezes precisamos passar por esse processo para podermos ser usados como instrumentos úteis nas mãos de Deus.
É necessário uma mudança radical em alguns casos !  Quem traia, não traia mais; quem roubava, não roube mais, quem odiava comece a amar; quem reclamava comece a glorificar e agradecer a Deus que derrama sobre nós bênçãos diárias.
A Torá sempre nos apresenta lições práticas para todas as situações da vida. Vejamos um bom exemplo disso:
“Então, respondeu Moisés e disse: Mas eis que me não crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O SENHOR não te apareceu".  E o SENHOR disse-lhe: Que é isso na tua mão? E ele disse: Uma vara.  E ele disse: Lança-a na terra. Ele a lançou na terra, e tornou-se em cobra; e Moisés fugia dela.  Então, disse o SENHOR a Moisés: Estende a mão e pega-lhe pela cauda (E estendeu a mão e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão.);  Para que creiam que te apareceu o SENHOR, o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó." (Êxodo 4.1-5)

Esse capítulo do livro do Êxodo reflete bem esta situação: quando Moisés estava debaixo da proteção de faraó, matou o egípcio e foi obrigado a refugiar-se.
Casou-se e talvez o seu coração ainda estivesse quebrado pela ingratidão demonstrada por seus irmãos, quando seu único desejo era o de salvá-los. A saudade de seus irmãos crescia a cada dia e ao ouvir notícias da situação do povo hebreu, que ainda estava subjugado diante de faraó, mais ainda se angustiava e sentia no fundo do seu ser aquele desejo de fazer alguma coisa para mudar aquela situação. 
Ele havia deixado tudo: o conforto da corte, o poder que a ele era conferido, preferindo ser tratado como um dos seus irmãos, escravos naquele momento. Quem toma esta atitude, além de amor necessita ter muita coragem. E Deus honra a fé de seus servos. Deus aparece a Moisés. Fala e ordena-lhe que vá libertar o povo que estava cativo no Egito.  Mas nesse momento crucial de sua vida começaram as evasivas, as desculpas de quem estava querendo se ver livre daquele fardo terrível: a responsabilidade.
Talvez nesta hora Moisés tenha sentido “medo”. Voltar ao Egito significava retornar ao passado. Talvez o sentimento de culpa pela morte do egípcio ainda estivesse latente em sua memória, ou ainda, o desprezo dos filhos daqueles que presenciaram o crime e não entenderam que o que movia o coração dele naquele momento era o desejo de mostrar a seus irmãos que ele também era hebreu e não egípcio; que ele não tinha culpa nenhuma de ter sido salvo das águas do Nilo e ter sido criado como filho da filha de faraó.  Quantas recordações! A sua cabeça fervilhava. Parecia um caldeirão junto ao fogo. Mas ele caiu em si, sacudiu a poeira das lembranças e resolveu render-se à ordem Divina. Pronto ela estava, mas voltar ao Egito? Como? Com que armas? E em nome de quem?  
Não é fácil tomar uma decisão desta. Só a fé pode explicar este comportamento.
Deus disse a Moisés: “Vai e dize ao povo que o Eu Sou te enviou”.
Moisés sabia que era o Senhor, mas daí a enfrentar o povo, vai uma distância enorme.  Ele não iria falar com as ovelhas de seu sogro Jetro. Aqueles homens que estavam cativos no Egito tinham pouca ou nenhuma identificação com os Patriarcas. Não eram nem sombra deles! Os Patriarcas haviam experimentado o privilégio de estarem debaixo da proteção do Senhor, mas os seus descendentes não tiveram a mesma experiência. De maneira que a fé num Deus Único e presente era entendida mais no contexto religioso aparente do que verdadeiramente existencial, ou seja, eles acreditavam no poder e no cuidado de Deus, mas nem tanto assim.
Isso tudo passa pela cabeça de Moisés e nessas idas e vindas de sonhos e realidades ele cai definitivamente na real e diz ao Senhor: “mas eles não crerão em mim, eles dirão: O Senhor não te apareceu”. Deus não fica “batendo boca” com Moisés. Deus não tenta convencê-lo com palavras persuasivas de sabedoria humana para que ele compreenda o que estava sendo entregue nas suas mãos. 
E o Senhor pergunta-lhe: Que é isso que tem nas mãos? Moisés deve ter pensado: Ele deve estar brincando comigo. Eu estou aqui falando de uma coisa séria; falando acerca das possibilidades de libertação do povo hebreu e o Senhor me pergunta o que eu tenho nas mãos. Como se Ele não soubesse. Ele que criou a tudo e a todos. Mas quem sou eu para retrucar com o Senhor.
E Moisés responde: Uma vara. Então disse o Senhor: Lança-a na terra. Moisés pensa: Deve ser brincadeira. Ele deve estar querendo me acalmar, passar o tempo. Tudo bem, o Senhor falou está falado. Ele a joga no chão e a vara se transforma em cobra. “E Moisés fugia dela”. 
O Senhor diz a ele que a pegue pela cauda. Assustado ele a pega pela cauda e a cobra voltou a ser uma vara em suas mãos e o Senhor complementa: para que creiam que te apareceu o Senhor Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.  Para Moisés era apenas uma vara, um pedaço de madeira. Mas nas mãos daquele que formou tudo a partir do nada, Ele queria mostrar a Moisés e ao povo hebreu que o Seu poder era superior a toda e qualquer dificuldade. Moisés estava de certa forma limitando o poder de Deus.
A vara que Moisés trazia consigo foi o instrumento utilizado por Deus para manifestar a sua graça e, essa mesma vara acabou se tornando no canal da bênção para Moisés e para o povo hebreu. Mas frequentemente, para alguns, o canal da bênção pode se transformar em algo perigoso quando utilizado de forma errada. A vara se transformou em cobra para nos ensinar que quando os recursos que Deus coloca em nossas mãos são usados de forma errada, acabam ferindo em lugar de proteger ou acabam matando ao invés de curar.  
Isso acontece principalmente com aqueles que são usados por Deus para anunciarem a mensagem Divina. Ao invés de falarem acerca do poder salvador que Ela possui, acabam enfatizando a busca das bênçãos materiais e financeiras, segundo a sua visão e não segundo a visão e as promessas do Senhor outorgou aos que O buscam. 
A vara que Moisés utilizou para abrir o mar vermelho e demonstrar o poder de Deus foi a mesma que fez com que ele pecasse. O Senhor ordenou que ele simplesmente tocasse na rocha para que dela emanasse água para saciar a sede do povo, mas Moisés, ao invés de tocá-la, acabou batendo com violência na rocha e por causa dessa atitude, que aos olhos de Deus foi vista como um ato rebelde perdeu Moisés a bênção de entrar na terra prometida. Aquela terra que manava leite e mel e por cuja conquista ele tanto lutara, orientando e conduzindo aquele povo rebelde e insubmisso passou a ser um terreno proibido para ele. 
As coisas simples e pequenas podem se transformar em grandes canais ou instrumentos da graça de Deus, quando nos colocamos debaixo de Sua vontade.  
Temos a história de uma senhora, viúva de um dos discípulos do profeta Eliseu, que o procura e relata-lhe que depois da morte de seu marido, acabou contraindo muitas dívidas e como não tinha com que pagá-las seus filhos seriam tomados como escravos para pagamento das mesmas. Ela pede socorro a Eliseu e este a princípio tentou se esquivar, mas caindo em si e vendo a sua necessidade perguntou à mulher: O que é que tens em casa? Só uma botija de azeite, respondeu ela. O profeta lhe disse: Pegue vasilhas vazias pela vizinhança e depois feche a porta de sua casa e encha todas as vasilhas que conseguir, depois de cheias, vá ao mercado venda-as e com o dinheiro pague a sua dívida e com o resto vivam você e seus filhos. 
Aquela mulher apesar do seu estado desesperador colocou-se diante da vontade de Deus com aquilo de que dispunha.  Às vezes pensamos que para sermos usados por Deus precisamos ser os melhores, os mais intelectuais, os mais ricos, esperamos estar mais maduros para servirmos a Ele. Dizemos: Ah! Senhor, eu não tenho experiência nesta área, quem sou eu para cumprir esta tarefa? A covardia e a negligência estão estampadas em nosso rosto e pensamos que podemos enganar a Deus. Deus conhece as nossas limitações e se fosse depender da nossa capacidade não seria Deus e sua obra nunca se realizaria. Não é somente a sua capacidade intelectual que Deus quer usar. Ele vai aproveitar isso também. 
O Senhor está perguntando hoje a você: O que é que você tem nas mãos? O Senhor quer fazer de nós um canal de bênçãos, mas para que isso aconteça precisamos apresentar-lhe, além das capacidades naturais que possuímos, pelo menos três possibilidades para que sejamos usados por Ele:

1º Precisamos estar dispostos a servi-Lo!
Isaías se reconheceu pecador e incapaz, mas apresentou-se a Deus, disposto a fazer o melhor e depois que foi tocado com a brasa em sua boca, ele ouve o apelo do Senhor e se prontifica a servi-Lo e o Senhor lhe diz: A quem enviarei e quem há de ir por nós? Nesta hora, Isaías não se fez de rogado e respondeu: Eis-me aqui, envia-me a mim!  
Disposição em servir significa fazer a vontade daquele que envia. É a posição do servo: ele não questiona o que faz o seu Senhor, mas simplesmente obedece.  Se você quer ser usado por Deus esteja disposto a servi-Lo. Mesmo que muitos se levantem contra você, mesmo que você se sinta incompreendido, perseguido, humilhado ou rejeitado não desista.
Tudo neste mundo é passageiro: as alegrias são efêmeras, as paixões acaloradas esfriam, os bens materiais são consumidos com o tempo, as dores físicas e morais acabam sendo superadas, a humilhação e o desprezo cicatrizam, e isso ocorre tanto aos justos como aos injustos.  Por isso disponha-se a servir na certeza de que algo bem melhor está sendo preparado para você no mundo vindouro.
Não fique escolhendo muito o que fazer. Procure não fazer somente o que lhe agrada, mas aprenda a fazer o que é necessário.
Às vezes o que você gostaria de fazer pode necessitar de um preparo maior e mais demorado, mas você pode participar de outras atividades enquanto não estiver preparado para fazer aquilo que tanto lhe agrada.

2º- Devemos buscar a Santificação
Diz o texto bíblico: “Portanto, santificai-vos, sede Santos, porque Eu Sou Santo” (Levítico 20.7). 
Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, precisamos mudar a nossa maneira de falar, não podemos mais usar o linguajar do mundo, recheado de palavrões ou palavras maliciosas.
A busca da santificação passa pelo terreno da transformação integral de nossos costumes e nessa área não existe a possibilidade de se fazer concessões, pois como diz o Salmista Davi “Um abismo chama outro abismo...”(Sl 42.7)

3º- Precisamos ser fiéis
Muitos entendem que a fidelidade está condicionada somente a entrega dos dízimos, mas fidelidade é algo que se estende ao nosso dia a dia, à nossa maneira de viver. Ser fiel é agir de acordo com a vontade de Deus, envolve lealdade ao Senhor e à Sua causa.
Isto me faz lembrar o que está escrito no livro de II crônicas 18 sobre a vida de 3 homens: 2 reis e um profeta de Deus: O Rei Josafá foi certamente o rei mais temente a Deus após a divisão do Reino de Israel, mas existiu um momento em sua vida que, talvez cansado da tranquilidade que Deus lhe concedeu, desejou aventurar-se sem a Sua aprovação e resolveu fazer aliança com o Rei Acabe, sanguinário e idólatra, marido de Jezabel, a mesma que desejou lançar não da vida do profeta Elias após a luta travada e vencida pelo Senhor contra os profetas de Baal. Acabe, aproveitando o momento de incertezas pelos quais passava Josafá preparou uma armadilha para que este fosse morto em batalha e para isso induziu-o após uma noitada em seu palácio a fazer aliança com ele. 
Depois de formada a aliança Josafá não tinha como voltar atrás e decidiu consultar algum profeta de Deus. Acabe sugeriu vários profetas de seu reino, mas como Josafá não sentiu neles a presença do Senhor solicitou de Acabe um novo profeta. Este menciona o nome do profeta Micaías, mas adverte que este sempre profetizava contra os seus planos e passou a denegrir o nome do profeta. 
Josafá tinha tudo para entrar no “embalo” de Acabe, mas ao invés de agir assim, advertiu-o de que não deveria falar aquelas coisas contra os servos de Deus.
Nós também deveríamos proceder como Josafá, mas muitas vezes, senão na maioria delas, agimos como Acabe, nos lançamos a difamar os homens de Deus como se isto Lhe fosse agradável. 
Ser fiel é procurar fazer a vontade de Deus, buscá-Lo com todo o nosso entendimento e desejo sincero de crescer em sabedoria, não a sabedoria acadêmica que o mundo pode nos oferecer, mas a sabedoria que vem de Deus e que nos faz passar e suportar afrontas de toda espécie. 
Precisamos ser fiéis à Palavra de Deus, não importa o quanto isto nos custe.


Muita paz a todos!
(בן  ברוך) Ben Baruch

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Oração. Um convite irresistível!



Oração. Um convite irresistível!

Muitas vezes andamos por este mundo sem saber ao certo o que procuramos.

Para alguns, apesar de a providência Divina os abençoar com um lar abastado, onde as provisões materiais são abundantes e todos ao seu redor se mostrem felizes, muitos se consideram infelizes, acreditando que algo ainda está faltando e não sabem como explicar o que acontece em seu interior que os leva a se sentirem assim.
Outros, todavia, embora levem uma vida humilde e cercada de dificuldades, que encontram no lar a tranquilidade que causaria inveja a muitos, inexplicavelmente sentem-se infelizes. Muito embora todos à sua volta lhes mostrem o quanto são abençoados por Deus, o fato de não desfrutarem do conforto e das facilidades que a vida moderna propícia leva-os a entender que se tivessem um poder aquisitivo maior poderiam considerar-se plenamente felizes.
Seres humanos... Como somos contraditórios em nossos sentimentos: Se temos muito, reclamamos... Se temos pouco, reclamamos ainda mais...
Não são poucas as pessoas que, diante das experiências que a vida nos concede, não conseguem, ao deitar em seus leitos, recostar a cabeça no travesseiro e simplesmente descansar das tarefas cotidianas. Suas mentes não param. Buscam forças e respostas em tudo que as cercam e se esquecem de que na maioria das vezes a solução não está fora, mas dentro delas mesmas e que para alcançar a paz que tanto desejam necessitam apenas e tão somente buscar a presença do Criador e expor-lhe o que tanto as atormenta.


Moisés, o grande libertador e legislador hebreu é um grande exemplo da necessidade que temos de buscar a Deus nos momentos de lutas e incertezas.
Durante o período em que viveu no palácio real do Egito, desfrutou do conforto e das facilidades materiais por ter sido criado como filho da filha de Faraó. Tão logo se rebelou contra o sistema político adotado pelo monarca, precisou fugir para salvar sua própria vida e isso fez com que passasse por extremas dificuldades, que alteraram de forma significativa os próximos oitenta anos que viveu entre nós.
Necessitou fugir da presença de seus irmãos hebreus e refugiar-se por quarenta anos até que fosse alcançado pela força do Amor Divino que viu nele um ser humano há quem poderia confiar uma grande tarefa: Libertar o Seu povo das garras de Faraó e transformá-lo em uma nação de reis e sacerdotes que levaria o Seu Nome aos quatro cantos da Terra e assim O fizesse conhecido por todos.
Por outros quarenta anos, através da oração e da certeza de que Deus não o desampararia em tempo algum, transformou não apenas o destino de todos aqueles que o seguiam, mas também o rumo da história de um povo e através dele o de toda Humanidade.
Cremos que o convite que Moisés nos faz para nos sentirmos transformados e abençoados pela presença e provisão Divina é criarmos em nós o hábito de falar com o Senhor; de estabelecer um momento para nos aproximarmos dEle através da oração.
Ele está sempre com os braços abertos esperando a nossa aproximação. O profeta Jeremias diz que Ele assim age porque nos ama: “De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.” (Jr 31.3)
Ele nos atrai porque deseja estabelecer conosco uma relação não apenas entre Criador e criatura, mas acima de tudo entre Pai e filho. E essa comunicação se faz através da Oração.
O convite é para utilizarmos esse recurso em quaisquer situações de nossa vida, quer estejamos felizes ou não.
Quando a infelicidade ou a dificuldade bater à sua porta e você se sentir impotente e desmotivado, ore a Deus pedindo-lhe a proteção e o amparo de que necessita para se fortalecer e seguir adiante.
Quando injustamente te ferirem com palavras ásperas e ofensivas, ampara-te na oração e peça ao Todo-Poderoso que lhe conceda o amor e a força necessária para superar tão duros momentos que também atingem outros que nos cercam e que tantas vezes, fechados em nós mesmos, nem percebemos.
Quando a perda de um ente querido ou de um grande amigo estiver sufocando a sua alma e as lágrimas derramadas não conseguirem produzir a calma e a certeza de que a vida continua e que um dia vocês se reencontrarão, ore e peça que Ele reconforte o seu coração, te dando a certeza de que a vida continua após a morte do corpo físico e que em breve poderás reencontrá-los e regozijar-se com eles na presença do nosso Deus.
Quando, apesar do desejo sincero de ajudar aos que mais necessitam, quer seja através de bens materiais, palavras de estimulo ou simplesmente oferecendo um ombro amigo e ouvidos atentos e solidários, os outros vejam neste ato uma maneira de condená-lo por sua suposta intromissão, não esmoreça ou interrompa a oportunidade que lhe foi oferecida pelo próprio Criador, mas ore, pedindo a Ele que lhe dê forças para compreender e amor para continuar trabalhando na construção do bem, pois muitas vidas poderão estar dependendo desta decisão para transformarem suas vidas.
Se a oportunidade de servir e demonstrar o amor de Deus aos semelhantes surgir à sua frente, agarre-a com todas as suas forças e faça o que estiver ao seu alcance para executá-la, pois, quem sabe, o mundo inteiro espera ansiosamente por esse momento para ser transformado. Por essa razão nunca desista de praticar o bem, nunca perca a oportunidade de auxiliar o seu próximo.
Quando as lutas do caminho estiverem te enfraquecendo a alma e te levando ao desespero e ao abandono, não se entregue a esse sentimento doentio, mas resista firmemente e ore a Deus, buscando nEle a razão maior de sua existência. Ele nunca desampara os que O buscam.
Quando tudo estiver correndo bem e tudo à sua volta for motivo de alegria, ore e agradeça ao Senhor por tamanhas dádivas, pedindo a Ele sabedoria e humildade para que as bênçãos concedidas não se transformem em pedras de tropeço em sua vida.
Quando os irmãos mais necessitados que compartilhem a tua mesa te honrarem por tudo que fazes, não se engrandeça por isso, mas ora e agradeça ao Senhor pela oportunidade que Ele te concedeu de espalhar o bem sem desejar recompensa.
Não importa se lhe damos o nome de Tefilá, prece, reza ou oração, o que realmente importa é falar com Deus, expondo nossos sentimentos e inquietações mais intimas, nossas dúvidas e incertezas, nosso agradecimento pelo cuidado que tem para conosco, pelas possibilidades que nos concedeu de um dia havê-Lo encontrado e ser atendido por Ele.
Aceitemos o convite que Moisés nos faz para orarmos em todos os momentos e situações e perceberemos o quanto isso nos ajudará a entender não apenas a razão de nossas vidas, mas nos ensinará ainda, a compreender e a amar ainda mais os nossos semelhantes.



Muita paz a todos!

(בן  ברוך) Ben Baruch

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O infinito amor de Deus


O INFINITO AMOR DE DEUS

Vivemos dias angustiantes. As pessoas se matam como se fossem animais famintos que tentam sobreviver a todo custo.
A violência está por toda parte e parece que a novidade para a vida do homem é o desejo de ver seu semelhante sofrer, não importando por quais meios. As pessoas se perseguem mutuamente e, para muitos, se os demais não pensarem e agirem como eles, devem ser eliminados.
O pensamento de alguns é: “Pessoas que não têm o mesmo padrão social que nós, estão atrapalhando a nossa ascensão, o nosso sucesso e alguma coisa precisa ser feita para tirá-las do nosso caminho.”
Muitos têm esse pensamento e alguns, mais incisivos em sua perseguição, se acham no direito de até colocar fogo em mendigos, que, no seu entendimento, cometeram o “pecado” de perderem tudo: emprego, família, dignidade e agora a própria vida!
Os critérios que muitas vezes usamos para manifestar o nosso senso de justiça é estranho e por que não dizer vergonhoso e injusto.
Quando colocamos os nossos amigos e parentes no banco dos réus, somos tolerantes e benevolentes, mesmo que tenham prejudicado muitas pessoas, e muito embora sejam vistos pelo restante da sociedade como monstros, para nós são uns amores.
Quando, porém, julgamos aqueles que nos prejudicaram, a nossa atitude muda radicalmente. Se alguém tenta defendê-los, dizemos que os estão defendendo porque não estavam na nossa pele.
Olhando para a vida do rei Manassés através deste capítulo 21 do segundo livro dos Reis, podemos perceber o que acontece com um homem que se deixa envolver nas armadilhas do orgulho e da prepotência.
Diz o texto:
“Tinha Manassés doze anos de idade quando começou a reinar e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Hefzibá. Fez ele o que era mau perante o SENHOR, segundo as abominações dos gentios que o SENHOR expulsara de suas possessões, de diante dos filhos de Israel. Pois tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, havia destruído (...) E queimou a seu filho como sacrifício (...) Além disso, Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém de um ao outro extremo (...) 2Reis 21.1-17)
Talvez examinando somente este capítulo nos precipitemos a dizer o velho ditado popular: “Tal pai, tal filho!”, parecia ter sido elaborado para ele.
Porém, se olharmos para a vida de Ezequias, o pai de Manassés, encontraremos o oposto da conduta do filho.
O relato bíblico diz que o rei Ezequias foi tão temente a Deus que não houve antes nem depois dele um rei com tanto temor a Deus em Judá.
Seu nome significa: “Meu deleite está nele”.

Mas apesar das preocupações dos pais em encaminhá-lo segundo a vontade de Deus, o garoto Manassés, resolveu fazer jus ao seu nome que significa: “que faz esquecer”, nome que surgiu quando José disse antes do nascimento de seu filho Manassés “Deus me fez esquecer de todos os meus trabalhos, e de toda a casa de meu pai” (Gn 41.51).
Manassés fez tudo errado. Foi um dos piores reis e não somente de Judá, mas também o pior que os povos vizinhos já tinham visto.
Era um verdadeiro monstro em pele de gente.
Não bastasse a sua maldade, se tornou devoto de deuses estranhos e fez passar o próprio filho pelo fogo, oferecendo-o a Moloque, um deus cananeu que exigia sacrifícios humanos e diz o versículo 16 que Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, tanto que encheu Jerusalém de ponta a ponta com ele.
O que temos presenciado em chacinas nas ruas das grandes cidades e presídios do país é brincadeira perto do que Manassés fez em Judá e região.

Segundo a nossa forma de julgamento, que fim mereceria o rei Manassés?

Para muitos certamente a morte seria pouco para ele.
Para outros, no entanto, deveria sentir na própria pele tudo o que fez os outros sofrerem, mas bem devagar... até não aguentar mais... e por fim deveria morrer, de preferência em uma cadeira elétrica.
Para alguns não bastaria acabar com a vida de Manassés, seria necessário exterminar também toda a sua família. “Devíamos eliminar a “raça” dele da face da terra...”, diriam.
Para felicidade de Manassés o julgamento de Deus não é igual ao nosso.
Será que um homem como ele poderia mudar?  ou “Pau que nasce torto morre torto”?
Miquéias 7.18 diz que não há Deus como o nosso Deus que perdoa as transgressões, não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.
O poder de Deus muda a vida das pessoas
Falou o SENHOR a Manassés e ao seu povo, porém não lhe deram ouvidos. (2 Crônicas 33.10)

Manassés era tão ruim que foi necessário algemá-lo, prendê-lo e levá-lo cativo para a Babilônia.
E foi ali, em meio a dores e tristezas, vendo todo o seu poder humano caindo por terra, que o monstro Manassés buscou a Deus e se transformou em um dos grandes exemplos de como Deus trabalha na vida do pecador arrependido.
Aquele homem arrogante e prepotente rendeu-se ao Poder Soberano de Deus, e na sua angústia clamou ao Deus e humilhou-se na Sua presença.
A partir da experiência de vida de Manassés o que podemos esperar do infinito amor de Deus?

Deus abomina o pecado, mas ama o pecador

Deus nos ama de uma forma que não podemos expressar com palavras do vocabulário humano.
Manassés foi um homem terrível, mas Deus lhe concedeu a oportunidade do arrependimento, assim como faz a cada um de nós.
Quantos de nós tem olhado para os “Manassés” de nossos dias com os olhos que Deus olharia?
Na maioria das vezes temos verdadeira aversão até para chegar perto de delinquentes ou de mendigos que perambulam pelas ruas, imaginando que seremos assaltados ou agredidos por eles.
A Palavra de Deus nos ensina que feliz é a nação cujo Deus é o Senhor e o povo que escolheu para a sua herança (Salmos 33.12).
Quando olhamos para o estado de podridão moral a que a nossa sociedade chegou, preferimos fechar os olhos, culpar os governantes e até mesmo os lideres religiosos a irmos, nós mesmos, anunciar o amor de Deus e dar uma oportunidade para que Ele opere naquelas vidas que estão às margens da sociedade que julgamos correta, civilizada e “humana”.
É certo que o pecado faz separação entre Deus e os homens, pois Ele é Santo e espera que também sejamos santos (Lv 20.7), mas o amor de Deus espera sempre que O busquemos com sinceridade para sermos resgatados da nossa incorreta e superficial maneira de viver.
Deus permite que caiamos para aprendermos

A Bíblia nos ensina que há caminhos que ao homem parecem direitos, mas no fim são caminhos de morte. (Pv 16.25).
Quantos de nós não temos atitudes que aos nossos olhos parecem corretas e nos conduzem a Deus e por mais que nossos amigos nos digam o contrário permanecemos no nosso erro e não queremos ouvir a ninguém?
Quantos líderes têm enganado o povo em nossos dias, com essa mensagem de prosperidade e de conquista, fazendo com que as pessoas se acheguem a Deus por interesses escusos, como se Ele fosse o “portador” de uma caixa registradora que se abre toda vez que vamos à Sua Presença para pedir-lhe algo?
Manassés era um rei terrível e a Bíblia nos diz que não havia ninguém tão cruel como ele, e por mais que os profetas o alertassem, ele nunca os atendia. Foi necessário que passasse por inúmeras tribulações para que pudesse aprender a buscar a Deus com sinceridade.
O Desejo de Deus é de que todos nós sejamos felizes e que não tenhamos nenhum tipo de problema, mas quando nos afastamos dEle ficamos sujeitos às armadilhas que o mundo coloca em nosso caminho.
Muitas vezes, Deus permite que caiamos nessas armadilhas para aprendermos com elas.
Assim como temos muitas pessoas onde arrependimento é pura fantasia ou demonstração exterior, temos também, pessoas sinceras, que verdadeiramente se arrependeram de todos os erros que praticaram no passado e tiveram suas vidas transformadas pelo poder de Deus.

Deus não despreza um coração arrependido

Quando Manassés se viu sozinho, prisioneiro em Babilônia, lembrou-se da conduta de seu pai Ezequias e sinceramente se arrependeu e buscou a Deus.
Deus ouviu a sua oração e o fez voltar a Jerusalém. Para demonstrar seu sincero arrependimento, Manassés restituiu o altar do Senhor e teve uma conduta diferente até o final de sua vida.
            Quando estivermos incorrendo em erro devemos rever nossa conduta e buscar a Deus com um coração sincero. Se assim o fizermos, Ele nos atenderá.
Davi disse que perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido (Salmo 34.18).
Não importa o estado moral em que nos encontremos, o importante é reconhecer que estamos incorrendo em erro e tenhamos o firme desejo de mudar o nosso comportamento diante de Deus.
Manassés não apenas orou pedindo o livramento de Deus para si e para o povo, mas tomou a atitude do verdadeiro arrependido: mudou radicalmente a sua vida.
Nunca menospreze a possibilidade de Deus trabalhar na vida das pessoas que consideramos ruins e impossíveis de mudanças.
Sempre haverá uma oportunidade para Deus manifestar o Seu infinito amor por nós. Por isso nunca menospreze a oportunidade que Deus te dá de anunciar a acerca do Seu Amor àqueles que vivem, não somente às margens da sociedade, mas principalmente às margens do convívio de Deus.
Que o Eterno nos abençoe e nos dê forças para fazermos a Sua vontade: Fazer conhecido o Seu nome e seu Infinito amor por todos que criou.

Não há barreiras para o amor de Deus.
(בן  ברוך) Ben Baruch