sábado, 28 de julho de 2012

Deus não me ama! Ele nunca me atende!!


DEUS NÃO ME AMA! ELE NUNCA ME ATENDE!!

Não é preciso ser “expert” em antropologia, sociologia ou psicologia, para afirmar que os dias nos quais vivemos têm sido palco de uma série de dificuldades e incertezas não apenas no terreno material, mas também e, sobretudo no espiritual. A violência, o desemprego, a aflição, a insegurança de grande parte da população, tanto nos grandes centros quanto nos menores municípios são de conhecimento público, pois todos sentem na própria pele os seus danosos efeitos.
Muitos podem pensar que esse é um problema localizado, restrito ao nosso país ou à nossa cidade, mas não é. É um problema social de amplitude global. Esse quadro não tem se restringido a países sub ou em desenvolvimento como o nosso, mas tem ocorrido com muita frequência também em países desenvolvidos e, em relação a alguns aspectos, de forma ainda mais intensa.
Os problemas existem e devem ser enfrentados. Mas como devemos agir? Com ou sem fé em Deus? Crendo em Deus e esperando? Crendo em Deus e fazendo a nossa parte: trabalhando? Ou simplesmente deixando como está para ver como é que fica?
Diante deste quadro terrível de adversidades e conflitos desesperadores, podemos encontrar dois grupos distintos de pessoas, que andam por caminhos diametralmente opostos, no que tange às suas posturas e reações em relação a Deus e a solução de seus problemas.

1º - O grupo daqueles que não conhecem a Deus

Não são poucas as pessoas que, desejando minimizar as aflições e as angústias que teimam em fazer parte do seu dia a dia, acabam batendo de porta em porta tentando buscar um socorro definitivo, ou quem sabe, apenas alcançar um pouco de alívio, uma simples trégua que poderá ajudá-las a reequilibrar suas emoções, fazendo com que possam retomar suas vidas.
Infelizmente, diante da recusa de muitos em ajudá-las e vendo, não poucas vezes, os seus familiares passando por necessidades e privações extremas, que parecem não ter fim, acabam, num ato impensado – ocasionado pelo desespero ou até mesmo por um desvio de caráter – partindo para atos por eles mesmos condenáveis como roubo, prostituição e tantos outros delitos para conseguirem levantar os recursos necessários à própria sobrevivência e a de seus entes queridos.
Apontar o dedo em sinal de acusação e estabelecer uma punição exige muita responsabilidade e conhecimento de todos os aspectos envolvidos na situação que, na maioria das vezes, desconhecemos e isso nos torna incapacitados para determinar a sentença com justiça. Sendo assim, devemos refletir muito antes de decidir o que será mais justo para os envolvidos.
Será que somos realmente capacitados para estabelecê-la? Dispomos dos meios e critérios imparciais para julgar ou avaliar o que passa na cabeça e no coração de uma pessoa desequilibrada e desorientada numa situação como esta? São perguntas difíceis de responder. Muitos, por não conseguirem alcançar seus objetivos, chegam às raias da loucura e terminam por cometer até mesmo o suicídio.
Esta é a posição de muitos que não têm a Deus em suas mentes e corações. São atitudes frequentes nas pessoas que colocam suas ansiedades e expectativas em si mesmas, e quando não conseguem atingir seus objetivos se desesperam e se entregam a atos que muitas vezes condenariam se fossem analisá-los no comportamento alheio.

2º - O grupo dos que conhecem e buscam intimidade com Deus

Quando se veem em aflição buscam a Deus. Oram, jejuam, clamam entre lágrimas de sofrimento e de esperança, desejando que Ele lhes conceda o livramento.
O Senhor, com certeza, ouve a nossa oração e conhece a sinceridade do nosso coração. Mesmo antes de abrirmos os nossos lábios, Ele sabe o que vamos pedir e o que realmente necessitamos.
Muitas vezes pedimos coisas que não seriam boas para nós e parece que Ele não responde às nossas orações. Se isso estiver ocorrendo com você, não se abata! Ele sabe melhor que nós o que verdadeiramente necessitamos.
Mas será que a resposta de Deus satisfará a nossa vontade? E se Ele disser não? Estamos preparados para nos submeter à Sua vontade?

Temos na Bíblia um exemplo “vivo” que pode nos ajudar a entender esse agir de Deus na vida daqueles que O buscam e servem.  Ele pediu o ato extremo: a própria morte. Estamos falando do profeta Elias.
Elias havia desafiado e saíra vitorioso em uma disputa épica contra os profetas de Baal e todo o séquito de admiradores de Jezabel, esposa do Rei Acabe. Essa vitória provocou a ira da rainha, que ordenou aos seus soldados que matassem o profeta. Elias, num ato puramente humano e compreensivo, fugiu a fim de esconder-se e, motivado por uma sensação de medo, pediu para si a própria morte: “Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.” (1 Reis 19:4 ).  Mesmo homens que possuem muita fé não estão isentos de se comportarem da mesma maneira diante de situação semelhante
Todos aqueles quem são afeitos à leitura bíblica, conhecem a vida e a importância do profeta Elias para o Povo Judeu. Conhecem também as manifestações do poder Divino sobre ele.
Esse homem que teve sua vida totalmente dedicada ao serviço Divino, não foi ouvido por Ele em sua desesperada oração, mas, apesar de suas dúvidas e incertezas, Deus o preservou porque os planos que a ele estavam destinados ainda eram enormes.

Sendo assim, a pergunta que não quer calar é: “Por acaso, será pecado pedir algo a Deus?” Não, não é pecado pedir, mas é importante saber receber e principalmente aceitar a resposta de Deus!!
É inegável que Deus se preocupa conosco. Deus, através do seu infinito amor, pode nos conceder tudo. Afinal, Ele é o Criador e Senhor de todas as coisas.
Deus pode nos conceder bens materiais, conforto, estabilidade financeira e tantas outras coisas que a maioria das pessoas busca e entende como sendo o melhor para suas vidas, mas existe outro aspecto nas bênçãos que Ele nos concede e que muitos esquecem ou até mesmo desconhecem.
O Salmista nos ensina que: “pode o choro durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer”. (Sl 30.5)
Não importa o tamanho da dificuldade que você esteja enfrentando, creia que pela manhã as coisas irão se alterar. Talvez você não consiga resolver imediatamente o seu problema, mas com alegria no coração e com a mente tranquila, Deus conseguirá “falar” com você e mostrará o melhor caminho a seguir.
Quando você clamar ao Senhor e parecer que a Sua resposta demora ou que Ele não vai atendê-lo da forma como você quer, não se levante a reclamar e a murmurar, dizendo que “Deus não te ama e nunca te atende”, mas continue orando, buscando sabedoria para entender os Seus propósitos para sua vida.

Se você faz parte do grupo daqueles que amam e buscam a Deus e estiver passando por lutas que parecem intermináveis não se desespere, pois Ele certamente te mostrará a melhor direção a seguir e brevemente elas se reverterão em bênçãos e você poderá anunciar a todos o imenso amor e o cuidado desse Deus maravilhoso a quem servimos. Não cesse de buscá-Lo. A resposta não tarda para os que O buscam com sinceridade.

Se ao contrário, você faz parte daqueles que ainda não conhecem a Deus e estiver passando por lutas e conflitos íntimos, perguntando-se se Deus realmente existe e se preocupa com os que O buscam, compreenda que muitas vezes Ele permite que você passe por essas dificuldades para que possa alcançá-lo. Deus não tem prazer no sofrimento nem na morte de ninguém como nos ensina em Ezequiel 18:32: “Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus, convertei-vos, pois e vivei”.
Por isso se você já tentou de tudo e não viu solução para o seu problema, nem descanso para o seu coração, estude a possibilidade de entregar os seus caminhos (vida) a Deus. Faça uma experiência com o Senhor. Eu garanto que sua vida vai mudar e que a angústia e a dor que ferem a sua alma vão passar. Não acredite apenas porque estou falando, acredite porque a Palavra de Deus é quem nos garante isso. Disse o Salmista Davi no Salmo 37:5 : “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele,e ele tudo fará”
Se você sentiu no seu coração o desejo de entregar-se a Deus, faça-o. Não espere mais tempo. Ele aguardou ansiosamente por este momento!
Entregue o seu coração e a sua vida a Ele e deixe que Ele cuide de você e dirija seus passos. Ele te mostrará o quanto você é importante e revelará todo o amor que deseja derramar sobre a sua vida.
Confie nEle. Ele é Fiel para cumprir a Sua Palavra. Nele podemos confiar sempre.
Se você optou por seguir ao Deus eu quero parabenizá-lo, pois foi a decisão mais importante que você tomou na vida.

Que o Senhor te abençoe ricamente.

(בן  ברוך) Ben Baruch
                                   

domingo, 22 de julho de 2012

Família: Instituição Divina em sua plenitude


Família: Instituição Divina em sua plenitude

Décadas atrás, alguns “profetas” de plantão estabeleceram que a instituição “família” chegaria ao fim. Com certeza não faltaram adeptos que procurassem colaborar para que este “vaticínio” se concretizasse.
Os tempos mudam, a civilização evolui, a ciência progride e a capacidade intelectual dos habitantes do planeta se desenvolve a cada dia, fazendo com que conquistas tecnológicas, tidas como de “última geração” tornem-se ultrapassadas em apenas alguns meses e às vezes uma semana depois de colocadas à disposição da sociedade.
Todas essas conquistas, todavia, são passageiras e sujeitas muito mais às interferências do homem do que propriamente de Deus, mas apesar desses altos e baixos, dessas idas e vindas do saber humano, a família permaneceu e permanecerá para sempre, mesmo que sufocada pelos modismos e desprestigiada por um grupo minoritário de homens e mulheres que desejam ditar “novas fórmulas” para que ela se mantenha “atualizada”.
A família é uma instituição Divina e sem ela a sociedade não sobrevive. A maior demonstração de sua força está exatamente no amor dos que a ela são agregados. Esse amor faz com que sobreviva a tudo e a todos, porque partindo do Criador, faz com que todos convirjam a Ele.
Muitas pessoas preferem exaltar a Justiça Divina como se fosse Seu principal atributo. Eu, todavia, entendo que todos os atributos Divinos alcançam a mesma escala: Infinita.
Se apenas um de Seus atributos não estiver nessa Infinita condição, certamente não estaremos falando acerca de Deus, mas acerca de qualquer deus “levantado” e promovido pelo mesmo segmento da sociedade que tem buscado minar a instituição familiar através de conceitos deturpados e muitos deles supostamente amparados pela “vontade” Divina.
Os atributos Divinos certamente não podem ser mensurados por nossa limitada capacidade intelectual ou espiritual, mas se pudesse dizer qual deles fala mais de perto ao meu coração eu não tenho dúvidas em afirmar que escolho, sem detrimento dos outros, o Amor.
Ao longo da existência humana Deus tem demonstrado o quanto nos ama e mesmo nos momentos em que somos provados por Ele ou até mesmo confrontados, por mais que venhamos a sofrer dores físicas ou morais, ao alcançar o equilíbrio percebemos que tudo que nos aconteceu foi em nosso próprio benefício e se ao superarmos as adversidades vivermos de maneira diferente, perceberemos que e quanto o Eterno nos ama. Sou um apaixonado pelo Amor Divino.
Invariavelmente, os que exaltam mais a Justiça Divina como forma de condenação, repressão e isolamento como sendo a forma por Ele empregada para manifestar a Sua vontade, estão na verdade querendo que sua própria justiça – humana – se concretize como se partisse do Criador. Vemos isso com muita frequência nos grupos onde o fanatismo e a materialidade são evidentes, buscando, muitas vezes, através dessa “rigidez” divina exercer a autoridade e subjugação humana do grupo a que pertencem com ares de “espiritualidade” superior.
Aproximemo-nos desse Amor Real que somente o Eterno pode nos oferecer e começaremos a olhar para o nosso irmão de maneira diferente, procurando perceber e valorizar suas virtudes, ajudando-o a corrigir-se de suas faltas, sem, no entanto, exaltá-las e torná-las públicas.

O verdadeiro amor, em minha humilde opinião, passa pela compreensão do erro do semelhante a que todos estamos sujeitos e é por essa razão que Deus permite que pessoas tão diferentes convivam sob o mesmo teto, num aprendizado mútuo, a fim de alcançarem o prêmio maior a que todos almejamos: estar na presença do Eterno e desfrutar de sua amável companhia.
Muita paz e amor a todos.

(בן  ברוך) Ben Baruch

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Intolerância religiosa



Bom dia. E que manhã incomum é esta, porque deve ser a primeira vez na história em que um rabino foi convidado a fazer o Pensamento do Dia por um Arcebispo de Canterbury, o editor convidado de hoje. E há uma história por trás dessa história.

Tudo começou nas noites mais sombrias da História, quando estava ocorrendo o Holocausto. Foi então que o grande Arcebispo de Canterbuty, William Temple, e um grande rabino-chefe, J. H. Hertz, se reuniram para criar o Concílio de Cristãos e Judeus, empenhado a lutar contra o antissemitismo e outras formas de ódio religioso ou racial.

Acho difícil descrever a transformação que ocorreu. Durante quase 2.000 anos judeus e cristãos ficaram divididos por uma barreira de hostilidade e suspeita. Veja só as palavras que isso acrescentou ao vocabulário da Europa: expulsão, inquisição, auto de fé, gueto, pogrom. Quem, conhecendo aquela história, poderia prever que ela seria revertida? E apesar de tudo, foi. Hoje judeus e cristãos podem se encontrar em amizade e respeito, sabendo que, sim, nossas crenças são diferentes, mas ficamos maiores, não ameaçados, por essa diferença. Creio que este é um dos maiores sinais de esperança num mundo ameaçado pela ira e pelo desespero. E agora podemos pegar esta amizade e aumentá-la, para que envolva hindus, sikhs, muçulmanos, budistas e todas as outras fés que formam esta nação, este planeta.

Este ano, 2006, tem sido difícil para a religião. Com muita frequência a face que temos visto no Iraque, Afeganistão, Cashemira, Somália, Sudão, no Oriente Médio e às vezes mais perto de casa, tem sido violenta, de confrontos – lembrando-nos das famosas palavras de Jonathan Swift, que "temos religião suficiente para nos fazer odiar uns aos outros, e não o suficiente para nos fazer amar uns aos outros." Amar uns aos outros além das fronteiras da fé tem sido o grande desafio da vida religiosa.

E atualmente a humanidade está enfrentando seu maior teste desde o Século Dezessete, quando guerras religiosas mancharam a face da Europa. Foi então que nasceu o secularismo – não porque as pessoas deixaram de acreditar em D'us, mas porque pararam de acreditar na capacidade do povo de D'us de viver pacificamente uns com os outros.

Porém judeus e cristãos têm demonstrado que isso pode ser feito; se pode ser feito com uma fronteira, pode ser feito com outras. Podemos realmente escrever um novo capítulo na conturbada história entre as fés, um capítulo que termine em amizade, o maior e mais notável antídoto contra o medo.

Rabino Jonathan Sacks

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lutando com a velha pergunta: Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?


É uma velha pergunta: Por que as pessoas boas sofrem e as más prosperam? Pensadores e filósofos de todas as gerações, como também todas as pessoas afligidas pelas causas da existência, se esforçaram para encontrar claridade sobre esse assunto.
Moisés, que era profeta, pediu a D'us: "Me mostre o Seu rosto", representado por "Deixe me ver como as coisas realmente são" e a resposta de D'us foi: "Nenhum ser humano nesta vida pode ver ou apreender o significado dos Meus caminhos."Porém, D'us mostrou a Moisés Suas costas, insinuando que somente o futuro, ou seja, após os acontecimentos, que Ele proverá significado, coerência e perspectiva a tudo.
Existem momentos em nossa vida em que nos sentirmos como se estivéssemos suspensos, à beira de um abismo, quando o mundo parece estar se movendo incontrolavelmente, jogando uma porção de eventos em nós que nos ameaçam. O rei David ,no livro de Salmos, clama a D'us dizendo: "Quando Você esconde Seu rosto, sou lançado neste estado de confusão, a ponto de perder a capacidade de suportar." Em outro lugar ele exclama: "E é só quando Você derrama Sua luz que as coisas se esclarecem, que nosso estado é iluminado."
DOR E DISCERNIMENTO
Eu corri para o hospital onde minha querida amiga Debbie tinha acabado de dar a luz a um bebê com Síndrome de Down. Assim que entrei em seu quarto fui saudado pelo que parecia ser uma reação de contradições – lágrimas que caiam de seus olhos e ao mesmo tempo um grande sorriso que iluminava seu bonito rosto.
"Eu nunca teria escolhido ou pedido este desafio", ela francamente admitiu, "mas se D'us estava procurando por uma casa amável e doce para esta pequena alma, Ele achou o lugar certo."
A resposta repentina de Debbie, se confrontando contra a adversidade, mostra sua atitude corajosa, baseada na fé. Admite que houve a dor e pesar, mas simultaneamente reconhece e concorda com a vontade de D'us, o Onisciente, o Conhecedor de todos os Seres, cuja sabedoria insondável dirige e orquestra tudo o que ocorre em nossas vidas.
A fé não elimina o sofrimento, mas provê uma perspectiva de significado e propósito para as coisas.
O senhor Bertrand Russel, filósofo e agnóstico famoso, em uma conversa com um clérigo, afirmou que não acreditava na existência de um D'us num mundo em que uma criança chorava de dor. O clérigo respondeu que, assim como ele, não acreditava em um mundo em que uma criança chore de dor e não exista nenhum D'us para justificar tudo isto. Obviamente o homem paga suas dívidas em vida. A dor é a sina inevitável da condição humana. A fé não elimina o sofrimento, mas provê uma perspectiva de significado e propósito para as coisas. Permite que tomemos conhecimento que, embora os caminhos de D'us sejam frequentemente impossíveis de se entender, além de nossa compreensão, não são arbitrários ou caprichosos. Eles seguem Seu plano para o destino final do ser humano, o que leva em conta passado, presente e futuro.
Somente um Ser que não seja circunscrito e limitado ao tempo, pode ver o retrato inteiro. Todos nós existimos numa fatia pequena do tempo, fora do contexto, e só temos acesso a um segmento minúsculo do quebra-cabeça enorme que fará sentido somente quando todos os pedaços forem colocados em seu lugar.
PROCURANDO O SIGNIFICADO NO SOFRIMENTO
Meu sogro, de santificada memória, gostava de contar a história de um homem que foi injustamente encarcerado por muitos anos nos tempos do Czar, na Rússia. Antes de começar seu encarceramento, implorou ao guarda para lhe dar algo construtivo para fazer durante sua longa e solitária estadia na prisão. O guarda apontou para uma roda na parede da cela completamente vazia. Ele aconselhou o prisioneiro a girar a roda, de modo que, de acordo com o guarda, ativaria um sistema de irrigação que faria florescer árvores e vegetação. 
Por 20 anos o prisioneiro girou a roda incansavelmente imaginando seus magníficos jardins, resultado de seu trabalho duro. Depois de passado muito tempo, ele foi libertado. Seu primeiro pedido foi para ser levado aos jardins, produto de seus muitos anos de incansável trabalho de girar a roda. Os guardas então riram arrogantemente de sua ingenuidade e lhe disseram que a roda que tinha girado todos aqueles anos não era conectada a nada. 
Ao ouvir esta terrível notícia o prisioneiro imediatamente caiu e morreu. O calabouço e a prisão de muitos anos não destruíram seu espírito, mas não poderia sobreviver sabendo que todos aqueles anos não serviram para nenhum propósito. Realmente, se o sofrimento não tem nenhum significado, a vida é reduzida para nada mais, além de uma piada cruel, e não vale nada o esforço exigido para viver no dia a dia. Como Nietzsche uma vez disse: "Aquele que tem uma razão para viver sobrevive de qualquer modo." 
Existem momentos em que, inicialmente, os eventos parecem ser trágicos ou menos desejáveis, e a história abaixo prova que este é um ímpeto para o crescimento e o desenvolvimento, realmente uma bênção para a vida.
Miriam, uma mulher jovem, muito bonita, que foi afetada por uma doença debilitante e terminal, expressa sua gratidão ao fim de sua longa luta. Ela fez com que a deixassem fazer o que quisesse de sua vida. Antes de sua enfermidade, se encontrava totalmente distraída. Sacudida pela série de acontecimentos, ela ficou sóbria e foi forçada a achar um caminho construtivo de existência e significado dentro dela.
O Sfat Emet, um comentarista Chassidico, explica o conceito de D'us à procura de homem. Ele o vê expressado pelas consequências sofridas por Adão e Eva em seu fatal engano de comer da Árvore do Conhecimento. A dificuldade aparente na narrativa é a de por que a serpente, que foi a responsável por atrair o homem a fazer o ato, foi simplesmente condenada para uma vida de rastejar com sua barriga e a comer somente o pó, enquanto que o destino humano, depois disso, seria de trabalho duro e infinita labuta. "Pelo suor de sua testa você comerá o pão", e "com dor você deve dar a luz" seriam seus destinos. É justo que aquele que cometeu o pecado, a serpente, deveria ser posta à vida, levando-se em conta o fato de que o pó pode ser encontrado em todos os lugares, enquanto os descendentes de Adão e Eva teriam que lutar em todos os aspectos da existência, isto é, para se sustentar, para criar as crianças, etc.? 
O Sfat Emet sugere que a serpente realmente sofreu o último castigo. Ela comeria o pó que está sempre presente e, deste modo nunca mais precisaria responder ou falar com D'us sobre seus atos. Ela nunca teria que erguer sua cabeça ao céus para perguntar a D'us por qualquer coisa. Na realidade, D'us a rejeitou e nunca mais quis ouvir falar sobre ela. 
Em contraste, Adão e Eva e sua descendência inevitavelmente encontrariam os desafios para se alimentar e educar seus filhos. Seus esforços, em última instância, os motivariam a buscar e pedir a D'us, que deseja ter uma relação amorosa com cada um de nós. Não existe destino pior que do que o afastamento de D'us. Frequentemente, a adversidade pode ser um catalisador poderoso para a conexão com D'us. 
Miriam entendeu que sua enfermidade, mesmo sendo dolorosa e desafiadora, era um convite, um despertar, um telefonema de seu amoroso Criador, que a forçou a parar para pensar e avaliar sua vida, entender que estava no caminho errado. No final das contas, deu a ela a oportunidade de, depois de procurar muito por sua alma, criar uma ligação com a fonte de sua vida, o Criador.
O ACIDENTE DE MEU GENRO
Meu genro, Rabino Elimelech Eliezer Ben Hena Fraydel, um Rosh Yeshivá (diretor de um Centro de Estudos americano), estava em Israel, a caminho de Tzfat para conduzir um Shabat inspirador para seus alunos. Ele estava num ônibus fretado com 60 de seus estudantes de rabinato, quando o motorista adormeceu, colidindo num inválido veículo do exército, que estava se preparando para entrar na estrada, e foi lançado pelo pára-brisa. Ele sofreu um dano pesado no cérebro e quatro meses mais tarde ainda estava inconsciente. Ele é pai de 12 crianças. 
Minha filha, Baila, não o acompanhou nesta viagem porque estava no começo de uma gravidez. O rabino Elimelech Eliezer é um mentor para milhares de pessoas. Sua Yeshivá é um exemplo sem igual, um modelo de aprendizado e vivência de todos os aspectos da vida com paixão. Ele é uma imponente figura, muito alta, cuja presença e brilho traziam uma notável alegria e energia onde quer que fosse. "Gevaldig" (incríveis), era sua resposta pronta e consistente para toda investigação sobre como as coisas estavam indo. 
No final das contas, ele não sabia onde estava indo quando partiu em sua viagem. Nenhum ser humano, não importa o quão grande e poderoso seja, pode predizer as circunstâncias de suas vidas. Só D'us sabe e está sob Seu comando. Porém, o que podemos controlar são nossas respostas em relação ao que ocorre conosco. A habilidade de resposta – a habilidade de escolher nossa resposta – é sempre nossa prerrogativa. 
Victor Frankl, em seu trabalho de logoterapia, afirma que até nos campos de concentração, onde a morte era inevitável, havia uma escolha de como se morreria, se era com dignidade e compaixão pelos outros, ou se revoltando contra D'us, comportando-se desumanamente em relação aos outros. A vida nos apresenta diariamente muitos desafios e os recursos de uma pessoa está nas respostas que escolhemos. Alguém habilmente observou que a vida de todo mundo já está escrita de uma forma ou de outra, em uma prisão de limitações. O desafio está então em fazer o que nós focalizamos nas grades que nos confina, ou devemos passar por elas e chegar mais além?
TRANSFORMANDO A FERIDA

Um rei, nos tempos antigos, possuía um diamante de incomparável beleza.
Era o seu tesouro mais estimado. Em tempos de festa, ou quando ele hospedava hóspedes estrangeiros, orgulhosamente exibia seu diamante. Em uma destas ocasiões, quando tirava o diamante da caixa, este caiu no chão e sofreu um feio corte que severamente arruinaria sua extraordinária beleza. O rei, com o coração partido, anunciou que a pessoa que consertasse seu estimado diamante teria todos os seus pedidos concedidos por ele. Mas se ele falhasse, seriam sumariamente executado. 
Artesãos vieram de todos os lugares, mas ao observarem a extensão do dano, se recusaram a tentar. Finalmente um artesão concordou em se empreender na arriscada tarefa. Ele foi provido com um quarto e as ferramentas requisitadas e depois de muito tempo apresentou o diamante para o rei. O rei, ao olhar a peça, deu um suspiro. O diamante ainda tinha o volumoso corte, mas o artesão o transformou em um talo e ao redor dele esculpiu pétalas que formavam uma magnífica flor. Tão surpreendente quanto o diamante era antes, agora ele estava muito mais primoroso e bonito.
Existem pessoas entre nós que são capazes de pegar as feridas da vida e transformá-las em recursos internos, as transformando em forças que as fazem pessoas mais profundas, compreensivas e com mais compaixão do que podiam ter sido caso contrário. 
Mas uma observação deve ser feita. Deve-se tomar nota de que pegar a estrada principal não significa que nós negamos a dor, ou que olhemos para aqueles que estão aflitos e esperamos deles uma devoção total e virtuosa, ou de sermos passivos ao que ocorre com o próximo. Nosso papel é fazer tudo que podemos para minimizar o sofrimento e o infortúnio de nossos semelhantes.
Quando outra pessoa está em crise não é o tempo apropriado para ensinar a fé. Melhor, deve-se aliviar a situação, oferecendo nossos recursos sentimentais, materiais e espirituais.
Alguns pontos para sobrevivência em tempos de crise (D'us nos livre) estão abaixo:
1. Tome cuidado com a pergunta "por que". Isto é, Por que D'us fez isto comigo? Por que devo passar por isto? Estas perguntas frequentemente não nos levam a parte alguma. Talvez uma abordagem mais construtiva seja mudar a pergunta do estilo de "por que" para uma pergunta como "qual e o que". Dadas as circunstâncias, qual é o meu papel? O que D'us quer que eu faça? Qual deve ser minha resposta? Quais metas devo colocar para mim mesmo para sobreviver fazendo disto uma experiência de crescimento?
2. Se Deixe ir e deixe com D'us – a base de todos os programas de 12 passos. Renunciar a ilusão de controle pode ser muito libertador. A advertência de um psicólogo, é que, em muitas instâncias quando as pessoas “se entregam a D'us’', elas passam a ter algumas expectativas de como as coisas deveriam ser. Quando não encontram, perdem rapidamente suas esperanças na capacidade de D'us e voltam para trás. Sua atitude parece ser a de que "eu me entregarei a D'us, desde que Ele faça as coisas do meu modo."Embora "virar a página", ou melhor, "recomeçar",possa soar fácil, é realmente um ato de profunda confiança no qual as pessoas cedem o controle para algo nunca visto antes e, para muitos, incerto. Às vezes, o resultado não é um caminho conveniente, indolor ou claro em direção a resolução do problema, e sim uma longa e sinuosa estrada. “Se Deixe ir e deixe com D'us” é uma frase cativante, mas a verdade é que muitos de nós simplesmente não tem a fé e a coragem para dar um passo mais longo, ou seja, um pulo em algo do qual ainda não têm certeza.
3. A fé é uma resposta aprendida. Não é algo natural a uma pessoa ou uma revelação. Deve se trabalhar duro para desenvolver sua fé. É uma disciplina interna. A palavra em hebraico para fé é 'emunah', que compartilha uma raiz com a raiz, 'emun', que quer dizer treinar. A alma deve treinar para alcançar uma resposta significante. E Isto é feito ao se relacionar com pessoas que são um modelo de fé, grupos de apoio, experiências, lendo materiais, fitas e tendo uma orientação apropriada. A introspecção e meditação podem ser muito úteis.
4. O poder da oração. A oração e a leitura de Salmos são ferramentas poderosas para cultivar o laço mais significante de todas as relações – nossa conexão com D'us. Somente esta conexão nos dará forças para navegar nos testes e tribulações da vida. Muitos Cabalistas e rabinos intuíram que o acidente do meu genro foi orquestrado por D'us a fim de evocar orações mundiais a seu favor. Precisamente, como era amado e honrado nos corações de tantos, foi escolhido para unir as orações de judeus em todos lugares para D'us. Toda pessoa pode começar onde está, e construir pouco a pouco seu dia a dia.
Os sábios do Talmud nos ensinam que o verso no livro de Zachariá, "Naquele dia o Todo-poderoso será Um e Seu Nome será Um", se refere ao tempo em que todos os pedaços do quebra-cabeça estiverem em seu devido lugar, e a luz esclarecedora de D'us iluminará a escuridão. 
Atualmente, em nossos tempos, nós recitamos duas bênçãos separadas. Quando eventos bons acontecem, nós recitamos, "Santificado é Você, D'us, Que é bom e faz o bem." Porém, se a natureza do evento é morte ou infortúnio (D'us nos livre), nós declaramos, "Santificado é Você, o Justo Juiz."
Em nosso mundo de ilusão, isto é o melhor que podemos fazer em meio à dor, ao sofrimento, à perda, e à tragédia. Mas, no futuro próximo, quando formos os beneficiários desta última luminosidade, só haverá uma bênção para tudo, agradecendo a D'us por tudo que é bom. Nós entenderemos então por que todas as coisas tiveram que ser como foram e como são, e que desde o princípio elas foram, em última instância, para nosso bem.
Que este dia chegue rapidamente em nossos tempos.

Rebbetzin Feige Twerski