domingo, 28 de junho de 2015

Fundamentalismo

            

           Publicado no Times de agosto, 2004

Sou um religioso fundamentalista, e orgulho-me bastante disso.

Em nossa cultura abrasiva, na qual às vezes parece que se precisa de pós-graduação em grosseria, a pior coisa que se pode chamar alguém é de fundamentalista. Você crê? Deve ser louco. Você reza? Deve ser um fanático. Cumpre as leis religiosas? Você deve ser perigoso. Não admira que um nome bem conhecido na imprensa é citado como tendo dito certa vez: "Não lidamos com D’us".

Espreitando sob a superfície desses derrotados está o medo do fundamentalismo. Aqueles que acreditam nos fundamentos da fé estão, como parece que presumimos, vivendo no passado, são hostis ao presente, incapazes de tolerância, veementes em sua condenação aos não-religiosos, e capazes de violência. Esta é uma opinião terrivelmente parcial e nos causará, a longo prazo, muitos danos.
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O D’us de Avraham é um D’us de amor,
não de guerra; perdão, não vingança; humildade,
não arrogância; hospitalidade, não hostilidade.
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Para ter certeza, toda fé tem episódios em seu passado dos quais deveria se envergonhar. Esta foi a mensagem dos profetas. Toda escritura sagrada tem passagens que, se forem interpretadas erradamente, podem levar ao ódio. É por isso que os judeus, e não somente os judeus, acreditam que os textos sagrados precisam de comentários. Qualquer sistema de crença pode se enganar.
Isso se aplica a ideologias seculares tanto quanto a religiosas. Os dois maiores substitutos para a fé no século 20, o Nazismo e o Comunismo, começaram com sonhos de utopia e terminaram em pesadelos infernais. A diferença é que as religiões contêm algo que as alternativas seculares raramente possuem: o conceito de arrependimento, uma disposição de admitir que erramos. É por isso que as ideologias seculares morrem, mas a fé religiosa sobrevive.

Não, o que está errado com a palavra "fundamentalismo" é sua presunção de que os fundamentos da fé são perigosos. Pelo contrário, a religião se torna perigosa quando nos esquecemos de seus fundamentos. O D’us de Avraham é um D’us de amor, não de guerra; perdão, não vingança; humildade, não arrogância; hospitalidade, não hostilidade. Avraham luta e reza pelo povo de sua geração, embora sua fé não seja a de Avraham. Ele recebe estranhos em sua tenda e faz um tratado de paz com seus vizinhos. Este é o ancestral que judeus, cristãos e muçulmanos têm em comum. Estes são os fundamentos aos quais somos chamados.
Há uma forte versão do liberalismo que afirma que a única maneira de criar uma sociedade livre é por meio da dúvida. Como não estamos certos, não impomos nossas certezas sobre os outros. Como podemos estar errados, damos às pessoas espaço para discordarem. Isaiah Berlin terminou um de seus ensaios mais importantes com uma citação de Joseph Schumpeter:
"Perceber a validade relativa das próprias convicções e mesmo assim defendê-las sem vacilar é o que distingue um homem civilizado de um bárbaro."
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Se eu alego ter o direito de
praticar minha fé com liberdade,
posso negar o seu direito?
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Sou tocado por esta ideia. É genuinamente nobre. Mas no final, ela falha. Se nossas convicções são apenas relativamente válidas, por que defendê-las sem vacilar? Se a bondade é apenas relativamente boa, por que se opor à crueldade, que é apenas relativamente má? Se tudo o que temos é a dúvida, logo nos encontraremos na situação descrita de forma memorável por Yeats: "O melhor carece de toda a convicção, ao passo que o pior está repleto de apaixonada intensidade." O relativismo não é defesa da liberdade.

Outro filósofo de Oxford, John Plamenatz, esteve muito mais perto da verdade quando enfatizou que a moderna doutrina da liberdade nasceu no século 17, numa época de crenças religiosas fortes e conflitantes. "A liberdade de consciência" – escreveu ele – "nasceu não da indiferença, não do cepticismo, não do mero liberalismo, mas da fé."

Por quê? Porque as pessoas que se preocupavam muito com suas próprias convicções religiosas terminaram por perceber que outras, que tinham convicções diferentes, também se preocupavam com as suas próprias. Se eu alego ter o direito de praticar minha fé com liberdade, posso negar o seu direito? Foi assim que nasceu o liberalismo europeu, não através do relativismo, mas na crença religiosa de que D’us não deseja que imponhamos nossa fé aos outros pela força.
A única defesa contra o perigoso fundamentalismo é o contra-fundamentalismo: a crença, enraizada em nossos textos sagrados, na santidade da vida e na dignidade do ser humano, no imperativo da paz e na necessidade de justiça temperada pela compaixão. Não somos concatenações cegas de genes buscando interminavelmente se replicar sem outro propósito que não o da sobrevivência. Estamos aqui porque fomos criados em amor, e cumprimos nosso propósito criando em amor.

Estas são as crenças que a maioria dos judeus, cristãos e muçulmanos compartilham, assim como pessoas de outras fés ou de nenhuma fé. Estes são os verdadeiros fundamentos. O que importa agora é que eles, não seus opostos, prevaleçam.

Rabino-Chefe da Inglaterra, Professor Jonathan Sacks
Fonte: Chabad

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Ombro amigo!



Ombro amigo!

Vivemos dias onde tudo gira em torno da competição.
As pessoas se vêem com olhos entreabertos,
Com receio de que seus segredos mais íntimos sejam descobertos,
Vivendo assim, em completa alienação.

Ah! Como seria bom se tudo fosse diferente.
Que as pessoas interagissem como antigamente,
Com o coração limpo, em total desprendimento,
Sem se preocupar com qualquer julgamento.

Quando olhamos para o presente,
Contemplando como névoa os tempos passados,
Sentimos, ainda mais, nossos corações descompassados,
Buscando na memória, o ombro amigo hoje ausente.

Como é bom ter um ombro amigo para debruçar...
Que nos ampara quando estamos abatidos,
Nos soergue quando estamos desiludidos
E nos acolhe quando precisamos descansar.

É nele que confessamos nossas lutas,
Que deitamos o rosto em meio a angústias,
Mas também nele nos alegramos,
Quando num abraço nos confraternizamos.

Quando sentirmos que a luta é difícil e estamos perdidos,
Que pensemos não ter para onde ir,
Lembremos do ombro amigo e comecemos a sorrir,
Porque ele nos aguarda sempre, para que nos sintamos protegidos.

Só tenho a agradecer por tantos ombros amigos
Que a vida me concedeu desfrutar.
Não foram tantas as lutas a enfrentar,
Mas quando surgiram tive onde me recostar.

Obrigado a você que tem sido um ombro amigo,
Quer seja no mundo real ou no virtual.
Saiba que o considero como algo muito especial:
Um verdadeiro presente Divino!

Ben Baruch


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Paz em Ti


PAZ EM TI

É muito importante a paz!
Governos a estabelecem, fomentando guerras, gerando pressões, submetendo as vidas que se estiolam ante jugos implacáveis.
A paz é imposta dessa forma, pelas armas, mediante a coação, e depois, negociada em gabinetes.
Vem de fora e aflige, porque é aparente.
Faz-se legal, mas nem sempre é moralizada.
Tem a aparência das águas pantanosas: tranquilas na superfície e asmáticas e mortíferas na parte submersa.
Assim se apresenta a paz do mundo: transitória e enganosa.
A paz legítima emerge de um coração feliz e da mente que compreende, age e confia.
É realizada em clima de prece e de amor, porque da consciência que se ilumina ante os impositivos das Divinas leis, surge a harmonia que fomenta a dinâmica da vida realizadora.
Essa paz não se turba, é permanente.
Não permite constrangimentos nem se faz imposta.
Cada homem a adquire a esforço pessoal, como um coroamento da ação bem dirigida, objetivando os altos ideais.
Não basta, no entanto programar e falar sobre a paz, mas visualizando-a, pensar em paz e agir com pacificação, exteriorizando-a de tal forma que ela se estabeleça onde estejas e com quem te encontres.
Seja a paz na Terra o teu anseio, em oração constante, que se transforme em realização operante como resposta de Deus.
Orando pela paz, esse sentimento te invade e o amor que de D'us se irradia, anulará todo e qualquer conflito que te domine momentaneamente.
A paz em ti, ajudará a produzir-se a paz no mundo.

Joanna de Ângelis
(Divaldo Pereira Franco)

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Todos nós, sem exceção, ansiamos por adquirir uma paz interior que acalme os nossos corações e nos faça olhar para a vida com mais alegria e prazer. É do ser humano este sentimento. Faz parte da nossa natureza. Todos nós queremos viver em paz.
Os que detêm o poder temporal - humano - buscam-na, muitas vezes, tiranizando os seus oponentes, alegando que assim agem em favor do bem comum, mas na verdade, assim agem, como uma forma de legitimar suas nefastas atitudes e desejos inferiores.
Esse “tipo de paz”, imposta pela força, é aparente e não condiz com a realidade, porque é exterior e não traz em seu bojo os sentimentos nobres que a deferiam caracterizar.
Aparentemente parecem mansas e tranquilas, mas se olharmos com cuidado poderemos verificar que estão maquiadas para esconder toda a imundície que seus idealizadores criaram para pô-la em ação. Assim agem, na sua maioria, os ditadores e líderes laicos ou religiosos que procuram exercer o comando a qualquer preço, alheios às advertências Divinas que nos concitam à irmandade e à fraternidade mútua.
A paz que o mundo nos oferece se parece muito com o que foi dito acima, por isso é enganosa, perigosa e funesta.
A verdadeira paz brota de um coração sincero que, no desejo de agradar ao seu Criador, não mede esforços para demonstrar todo o amor que há dentro de si pelos seus semelhantes.
Ela pode ser demonstrada de várias maneiras: um abraço fraterno, um ombro amigo, uma palavra animadora, um olhar de carinho, um ouvido atento ao clamor e ao desespero do necessitado ou simplesmente um aperto de mão, que, em alguns casos, "fala" mais que muitas palavras quando é dado com sinceridade e amor.
Os que conseguem adquirir esse sentimento possuem um tesouro inimaginável pelos tiranos e pelos que olham para seus irmãos como seres insignificantes e inferiores, que foram criados apenas para servi-los.
A verdadeira paz não traz confusão aos sentidos nem aos sentimentos, porque, não sendo imposta, não gera constrangimento naqueles que a recebem.
Essa paz é uma dádiva a que todos os seres humanos têm direito, bastando apenas que a persigam como se perseguissem um valioso tesouro que os levará a lugares de refrigério e descanso; a lugares de comunhão com o Criador de tudo e de todas as coisas existentes no Universo.
Se você, neste momento, encontra-se em guerras internas, acreditando que nunca haverá ocasião em sua vida para que essa paz verdadeira se estabeleça e já desistiu de buscá-la, quero pedir-lhe que não pedir-lhe que não desista nem esmoreça e lute um pouco mais por ela. Quando você a possuir, verá o quanto valeu a pena todo o esforço despendido e perceberá que ele não foi assim tão difícil, pois bastou olhar de forma diferente para o mundo que o cerca para perceber que a Grandeza, a Bondade e a Misericórdia de Deus encontram-se em todos os cantos e ocasiões. Somos nós que não as percebemos, mas elas estão lá, aguardando o momento de serem recebidas e experimentadas.
Procure olhar para o seu irmão com mais compaixão, vendo nele uma oportunidade para revelar o grande amor de Deus por ele. Fale e estabeleça a paz em todas as oportunidades.
Sendo assim, ore para que ela se estabeleça primeiramente em seu coração e após alcançá-la, não a deixe “trancafiada”em seu interior, mas exteriorize-a, fazendo com que se espalhe e alcance todos à sua volta.
Se agirmos desta forma, poderemos vê-la espalhada por todo o mundo e contemplaremos a diminuição do sofrimento e das aflições de nosso próximo, que não raras vezes ocorrem porque não conseguiram encontrar essa paz que somente o Eterno pode nos conceder.

Essa é a vontade de Deus para as nossas vidas, aceitemos o Seu convite e nos alegremos com Ele.

Ben Baruch 

Amor ao próximo em uma sociedade competitiva


                                 
 Como é possível compatibilizar o preceito "Ame o próximo como a ti mesmo"(Lv 19.18) dentro de uma sociedade competitiva onde cada um procura sempre se superar frente aos demais?

 As leis da Torá (Pentateuco Mosaico) foram dadas para refinar o ser humano. Se D'us tivesse nos dado leis fáceis de cumprir, não teria nenhuma graça, nem mereceríamos nenhuma recompensa. De fato, a mitsvá (ordenança) de amar o próximo como a si mesmo é muito difícil. Como a Torá pode exigir isto?
Quando me dói o dedinho do pé, sinto isso muito mais do que ler no jornal que um terremoto acabou com a vida de milhares de pessoas! Portanto, no caso desta mitsvá, a palavra chave é "como" – deve se amar o próximo da mesma maneira como se ama a si; i.e., assim como uma pessoa não enxerga normalmente seus próprios erros, e quando já os percebe, vai justificando suas falhas, é desta maneira que devemos agir com o próximo; procurar justificar seus atos e atitudes que nos incomodam e irritam. Esta é a maneira mais elevada de cumprir esta mitsvá.
Como foi dito acima, esta é uma mitsvádifícil e pode se perceber isso pelo dito do Sábio Hilel que disse ao homem que queria conhecer toda a Torá num pé só: "Não faça ao próximo aquilo que não quer que os outros lhe façam." (Esta é a mitsvá de amor ao próximo, expressa de maneira negativa ou proibitiva.)
Depois Hilel ainda acrescentou: "Esta é toda a Torá (i.e.: 'Você acabou de estudar a Torá inteira num pé só; e se quer conhecer os detalhes, agora vá estudar')." Faz-se a pergunta, como Hilel comparou a mitsvá de amor ao próximo à "toda a Torá"? À primeira vista, é apenas metade da Torá, pois a Torá é composta de leis entre a pessoa e D'us e outras leis entre a pessoa e seu semelhante. Enquanto o amor ao próximo pode englobar as leis entre a pessoa e seu semelhante, como pode também incluir as leis entre a pessoa e D'us?
A resposta para esta pergunta é a seguinte: Como mencionado acima, é impossível ter um amor ao próximo igual a si mesmo. Para chegar a isto, para alcançar este nível de sentir pelo próximo e pensar nele igual ao que se sente e pensa sobre si, a pessoa tem que elevar-se de seu nível físico.
Normalmente eu sou eu e ele é ele; como pode ele ser como eu? Somente quando considero o outro um verdadeiro irmão ou parente próximo, posso chegar a pensar e sentir por ele como por mim, pois irmãos são unidos por laços além do físico apenas. É uma ligação inata, natural e inexplicável somente de maneira racional. Quando uma pessoa pode considerar o próximo como um verdadeiro irmão, realmente conseguirá cumprir esta mitsvá.
Mas como é possível considerar seu semelhante, um estranho, come se fosse um irmão? Somente quando a pessoa se eleva além do plano físico e material e considera o próximo um irmão de alma, pois pelas almas somos todos irmãos; somos almas de um só Pai (trata-se da alma Divina). Quem chegou neste nível – de considerar o próximo um verdadeiro irmão – está dando prioridade à alma sobre o corpo, pois de outro jeito nunca sentirá que o próximo é um verdadeiro irmão.
Quando a pessoa chegou neste nível de dar prioridade à alma, isto é verdadeiramente "toda a Torá", como disse Hilel. Somente com esta explicação chassídicada mitsvá de amar o próximo, é possível entender o que Hilel disse. Sem esta interpretação, continuamos com a dúvida original.
Realmente, o mundo está repleto de competição, cada um querendo mostrar que possui mais ou que consegue mais ou que é maior e melhor em termos sociais, financeiros, etc. E é difícil (porém não impossível) viver uma vida correta no meio de tudo isso. Porém nossos Sábios explicaram por que D'us fez as coisas desta maneira. Se não fosse pelo instinto mal (yêtser hará) de querer superar o próximo, ter mais do que o próximo, ser o maior, etc., o mundo não teria ido para a frente. O que impulsiona o desenvolvimento é justamente esta corrida onde cada um quer buscar e atingir mais. E D'us quer um mundo habitável e não um deserto. Por isso Ele criou o ser humano com esta natureza.
Nossos antigos Sábios queriam abolir o "yêtser hará". Assim sendo se reuniram, rezaram a D'us e pediram e com seu poder espiritual e sobrenatural finalmente conseguiram afastar o instinto mal do homem. No dia seguinte ninguém sentiu nenhuma vontade, paixão, inveja, etc. Parecia um mundo perfeito. Mas por outro lado, ninguém estava com vontade de trabalhar, construir, realizar projetos, etc.; até a galinha não quis botar mais ovos. Então os Sábios entenderam que esta não é a maneira certa de fazer as coisas e que realmente D'us tinha razão em fazer o ser humano ter todas as características humanas, inclusive as de cobiçar as coisas do próximo.
Isto (o fato que D'us deu ao ser humano uma natureza com instintos baixos) é em termos gerais. Mas cada um em particular deve se esforçar para viver sua vida dentro dos parâmetros da Torá e direcionar estes instintos naturais para o bem do próximo. Existe muita gente boa nesta multidão que se dedica ao bem estar do próximo, se ocupa com os pobres, os abandonados, os miseráveis, etc.
Nossos Sábios nos aconselharam a olhar para cima, para quem tem mais em termos espirituais e tentar imitá-lo; e olhar para baixo para quem tem menos em termos materiais e ficar feliz e satisfeito com o nosso quinhão. Sempre tem aquele que encontra tempo para estudar, participar de uma aula de Torá, ligar para a mãe mais frequentemente, fazer um favor mesmo não tendo sido solicitado, e assim por diante. Devemos tomar isso como um exemplo e tentar imitar tal comportamento. Isto significa usar a competição de maneira positiva.
Por outro lado em vez de querer mais para si, vejamos quantas pessoas têm muito menos do que nós. A felicidade não depende da quantidade de dinheiro ou tempo que a pessoa tem e sim da maneira como os aplica para uma boa causa.

Chabad

domingo, 21 de junho de 2015

Um e-mail de Deus.


O trabalho que fazemos constrói o mundo num lar aconchegante

Por muitos anos, perguntei-me como seria receber um e-mail de D'us. A ideia sugerida por seu artigo, de que há um site chamado Portais do Céu fascinou-me, e não saía de minha mente. Se existia esse site, não seria possível que e-mails pudessem ser enviados do céu para a humanidade? Após dias de contemplação e consideração, finalmente decidi tentar a comunicação com esta morada celestial. Tinha a impressão que enviar um e-mail ao Todo Poderoso era menos radical que lampejar mensagens a marcianos verdes e outras criaturas cósmicas, o que sabe-se que muitos adeptos da New Age fazem.
Suponha que você tem uma chance de mandar um e-mail a D'us, o que escreveria? Creia-me, não é uma decisão fácil. Refleti sobre o assunto com extremo cuidado, e finalmente compus a seguinte carta:

Apertei o botão "Enviar", e meu e-mail desapareceu rapidamente no espaço ciber-celestial.
Reconheço que D'us geralmente não responde a comunicações terrenas. Mesmo assim, eu estava empolgado sobre meu e-mail, e acalentei uma leve esperança de que receberia uma resposta. Chequei minhas mensagens várias vezes durante o dia. Quando fui para a cama aquela noite, virei-me de um lado para o outro, com dificuldade para pegar no sono. Finalmente mergulhei num cochilo. No meio da noite, acordei com um salto. Tinha a estranha impressão de que algo tinha acontecido, e corri para o computador. Tenho certeza que você pode avaliar meu entusiasmo ao ver que chegara um e-mail do webmaster de Portais do Céu. Minha mão tremeu enquanto eu tentava firmar o mouse e clicar duas vezes para abrir o e-mail que com toda certeza, mudaria minha vida. Estava totalmente despreparado para o conteúdo da mensagem:

O quê?! Então era esta, a resposta à minha elevada busca espiritual? Teshuvá por causa de um insignificante episódio de lashon hará? Que tremendo desapontamento! Eu tinha imaginado uma tarefa excitante e dramática, tal como: "Escale o Himalaia e salve uma alma perdida que tenha se juntado a um culto oriental", ou "Saia de casa, mude para a Sibéria e abra uma yeshivá para os bisnetos dos judeus que participaram da Revolução Comunista." Apesar de meu extremo desapontamento, não podia ignorar um e-mail de D'us, e teria de seguir esta diretiva Divina sem questioná-la.
No final do e-mail estava um link a meu "Arquivo de dados de Lashon Hará". Cliquei no link e encontrei um registro de todos os episódios de lashon hará durante minha vida. Fiquei atônito ao descobrir que a contagem ia a mais de 50.000, o que representava uma média de cinco indiscrições de lashon hará por dia, pelos últimos 30 anos (tenho 43). Embora eu fosse cuidadoso para nunca violar as leis, lashon hará é, bem, você sabe, uma categoria diferente, por assim falar (nenhum trocadilho aqui). Afinal, todo mundo precisa fofocar um pouquinho. Mesmo assim, fiquei chocado pela absoluta magnitude dos itens em minha vida. Perguntei-me por que os e-mails de D'us ordenavam-me fazer teshuvá por apenas um episódio de lashon hará, quando tantos existiam? Isso me parecia uma boa pergunta, mas a quem eu questionaria sobre a vontade Divina?
Fiz rolar a lista e selecionei ao acaso um incidente de lashon hará.

Eu não me lembrava claramente do episódio, embora tivesse ocorrido há poucas semanas, então cliquei duas vezes e assisti enquanto o Real Player carregava e fornecia um vídeo-retrocesso do acontecimento.
Paulo da Silva era um bom amigo. Embora fosse contador graduado, tinha dificuldade em ganhar seu sustento. Recentemente, contratei Paulo para fazer minha declaração de Imposto de Renda. Quando Paulo enviou-me minha via, fiquei muito aborrecido ao ver que ainda devia R$ 500,00 ao Leão. Fiquei tão furioso, que chamei meu amigo Roberto, que também estava pensando em utilizar os serviços de Paulo. "Paulo fez minha declaração e não me admira que ele não consiga ganhar dinheiro. É um contador dos piores. Aposto que não consegue somar 2+2 sem usar a calculadora."
Em seguida, Roberto partilhou minha avaliação de Paulo com alguns poucos amigos mais chegados, que por sua vez disseram a alguns membros de seu círculo íntimo de amizades, e assim por diante.
Agora, eu precisava arrepender-me e fazer teshuvá por este ato falho. Como eu logo descobriria, porém, isso não era coisa simples. Cliquei no link de ajuda para entender o processo de teshuvá. Eis o que apareceu em minha tela:

Eu agora tinha um problema, pois nenhuma das atitudes delineadas acima pareciam factíveis. Não podia pedir a Paulo que me perdoasse (opção 2) porque ele era um amigo íntimo, e eu não queria que ele soubesse que eu tinha prejudicado sua reputação. Por outro lado, não podia seguir a opção 3 porque não tinha certeza se de fato causara prejuízo financeiro a Paulo. Além disso, mesmo que Paulo ainda não tivesse perdido qualquer cliente, parecia impossível retirar minha declaração, mesmo por que não tinha como determinar o quanto minhas palavras tinham viajado e se espalhado.
Lembrei-me então de que o e-mail de D'us oferecia ajuda com o banco de dados do Portais do Céu. Observei a barra de ferramentas e encontrei uma opção chamada "Checagem do Avanço do Lashon Hará". Um clique neste link abriu uma tela que se assemelhava aos galhos mais finos de uma árvore copada. Perto de cada galho, estavam os nomes das pessoas que tinham ouvido e repetido minha avaliação sobre Paulo. A parte boa era que, até aquele momento, Paulo ainda não perdera qualquer negócio como consequência de meu lashon hará. Como meus comentários ainda estavam frescos, eu tinha uma pequena oportunidade de retirar minhas palavras antes que Paulo realmente perdesse qualquer cliente. A parte má era que a lista de pessoas que ouviram meu lashon hará era muito longa.

Rolei a tela e tracei toda a trilha de minha observação pejorativa. Para meu espanto, apareceu um novo galho enquanto eu estava olhando a tela. Alguém acabara de repetir meus comentários. Meu lashon hará estava vivo, crescendo e expandindo seus tentáculos, como se continuasse a espalhar sua horrível teia de calúnias. Tudo considerado, minha avaliação negativa de Paulo tinha sido repetida até agora 189 vezes.
Agora eu estava num dilema. Como poderia retratar um comentário passado para 189 pessoas? Muitos dos nomes na árvore me eram totalmente desconhecidos, e eu não conseguia me ver fazendo contato com pessoas que não conhecia. Lembrei-me de uma história famosa que escutara quando era criança, sobre um homem chamado Yankel, que gostava de repetir afirmações caluniosas. Conforme foi envelhecendo, percebeu que um dia teria que aparecer perante a corte celestial e prestar contas de seus atos. Finalmente, Yankel procurou o rabino local e perguntou como poderia arrepender-se e ser perdoado por toda a maledicência que espalhara no decorrer dos anos. "Não há problema" - disse o rabino. "Simplesmente pegue um travesseiro grande de penas de ganso e suba no telhado mais alto que houver na cidade. Quando estiver no topo, bata com o travesseiro na chaminé, com toda a força que tiver." Yankel achou o conselho muito estranho, e não conseguia ver de que maneira esta ação expiaria seu crime. Porém, o rabino havia ordenado, e quem era ele para questionar a sabedoria do erudito Rabi. Na verdade, Yankel estava encantado com a prescrição simples do rabino para a expiação. "Jamais percebi como é fácil fazer teshuvá por lashon hará." Yankel pensou consigo mesmo. Agarrou um enorme travesseiro de penas de ganso e escalou rapidamente até o telhado do edifício mais alto da cidade. Com toda sua força, girou o travesseiro duas ou três vezes contra a chaminé. De repente, o travesseiro abriu-se e o vento espalhou penas de ganso por toda a cidade.
Yankel correu de volta ao rabino e reportou-lhe seu sucesso.
"Oh, há mais uma coisa que deve fazer," disse o rabino. "Vá e recupere todas as penas e traga-as a meu escritório." "Isso é impossível," disse Yankel. "Elas viajaram por toda a cidade, e não tenho como recolhê-las."

Enviei meu e-mail às 189 pessoas e respirei aliviado. Estava muito orgulhoso de mim mesmo. Através do milagre da tecnologia moderna, pude corrigir o que Yankel jamais pudera.
Minha alegria durou pouco. Em poucos instantes, comecei a receber e-mails de resposta de meus novos amigos. Eis aqui uma amostra daquilo que escreveram.

Obviamente, eu nada conseguira com meus e-mails. As pessoas já tinham a cabeça feita, e eu não poderia convencê-las do contrário. O dano que eu causara à reputação de Paulo era claramente irreversível. Eu conferia o site regularmente, e em poucos dias Paulo começou realmente a perder negócios como resultado da repetição de minhas declarações.
Parecia que não me restava outra opção. Para cumprir minha missão Divina, eu teria que jogar a toalha e pedir perdão a Paulo. Mas então perguntei-me se esta era uma atitude ética. Paulo sem dúvida ficaria magoado ao saber que eu o apunhalara pelas costas, e manchara sua reputação aos olhos de 189 pessoas. Seria justo adicionar o insulto à injúria e provocar o sofrimento em Paulo para que eu conseguisse minha expiação pessoal?
Decidi ir até a casa de Paulo, ainda incerto sobre o que fazer. Talvez eu pudesse, delicada e diplomaticamente, explicar o que fizera, sem magoar seus sentimentos. Meu plano logo seria alterado.
"Paulo, tenho algo importante para lhe dizer," gaguejei. "Preciso contar-lhe... Isto é, não sei bem como dizer isso... É que, bem, você sabe como às vezes... não, não é isso, sempre fomos bons amigos... deixe-me tentar desta forma..."


Paulo olhou-me com espanto total, e interrompeu minhas frases titubeantes. "Escute, primeiro pense sobre o que quer falar. Estou contente por você ter vindo. Você sabe, equilibrar o orçamento sempre foi difícil para mim. Não sei por que, mas ultimamente as coisas têm piorado, e ficou mais difícil conseguir novos clientes. Estou constrangido, mas preciso de um grande favor. Sinto-me à vontade com você porque sempre foi um amigo leal. Poderia emprestar-me cinco mil pratas por alguns meses?"

"Claro, Paulo, seria um prazer," respondi.
"Quem me dera todos fossem tão bons quanto você," rebateu ele. Senti-me como um verme.
Percebi que o Plano B fora por água abaixo. De jeito algum eu poderia deixar Paulo saber o amigo de duas caras que eu realmente era.
Agora eu estava mesmo encrencado, e não conseguia achar um jeito de cumprir a diretiva de D'us. Jamais imaginei que seria tão difícil corrigir um único incidente de lashon hará.
Infelizmente, a oportunidade para teshuvá apresentou-se algumas semanas depois, sob a mais trágica das circunstâncias. Paulo da Silva estava fazendo cooper quando subitamente teve um grave ataque do coração. Foi levado às pressas para o hospital e morreu dois dias depois. Abria-se agora, para mim, um novo caminho para teshuvá, pois a halachá (lei judaica) permite que alguém peça perdão à uma pessoa falecida na presença de um minyan (dez homens adultos).
Escrevi e enviei este e-mail para dez amigos.

Chegou o domingo, e encaminhei-me ao cemitério. Era um dia frio e escuro, e o clima combinava perfeitamente com meu estado de espírito. Você poderia pensar que é mais fácil desculpar-se com os mortos que com uma pessoa viva, mas não é bem assim. Além do extremo constrangimento de pedir desculpas em um cemitério perante um grupo de dez pessoas, é sinistro ficar em frente a um túmulo e dizer que está arrependido a uma alma que já se foi. Eu jamais teria conseguido manter a fortaleza de passar por esta provação se não fosse o e-mail de D'us, que me empurrava para a frente.
Caminhei até o túmulo de Paulo, cercado por dez homens melancólicos que com certeza desejariam estar em qualquer outro local naquela manhã de domingo. Meus olhos começaram a se encher de lágrimas. Pela primeira vez, durante toda esta penosa experiência, comecei a sentir a intensa dor que havia causado a Paulo com meus comentários impensados. Sem qualquer reflexão, eu tinha pronunciado palavras que trouxeram enorme prejuízo a um bom amigo. Havia me apressado em tirar conclusões sem qualquer fundamento sobre a incompetência de Paulo.
Lembrei-me da época em que um colega fizera isto comigo. Ele procurou meu chefe e criticou meu trabalho com argumentos que achei infundados. Fiquei furioso, e até hoje, não consigo perdoá-lo por completo, por ter prejudicado minha reputação. Senti vergonha por ter feito quase a mesma coisa a Paulo. Como eu era hipócrita! Perguntei-me também se a perda dos rendimentos que Paulo sofrera devido a meus grosseiros comentários adicionaram tensão à sua vida, e por fim contribuíram para seu enfarto e falecimento. Se a pena é mais poderosa que a espada, então as palavras podem matar. Seria eu um assassino?
Silenciosamente, sussurrei palavras que eu sabia serem completamente inadequadas.
"Paulo, estou tão terrivelmente arrependido. Como eu gostaria que isso nunca tivesse acontecido."
Então, engoli em seco e disse em voz alta a fórmula prescrita no Código das Leis:
"Pequei contra o D'us de Israel e contra Paulo da Silva, de abençoada memória, manchando sua reputação como contador profissional". Os dez homens responderam em uníssono:
"Está perdoado, está perdoado, está perdoado."
Os dez homens, que estavam tão pouco à vontade quanto eu, rapidamente trataram de sair do cemitério. Eu também voltei para casa, contente por aquela provação estar finalmente terminada.
A experiência toda dos últimos dias haviam cobrado seu tributo. Em especial, a ida ao cemitério tinha esgotado minha última reserva de energia. Cheguei em casa tão completamente exausto que fui direto para a cama e caí em um profundo estupor.
Finalmente, acordei na manhã seguinte, de certa forma refeito, e fui até a sinagoga. Ao sentar-me para rezar, fiquei atônito ao ver um vulto, que por trás, se parecia com Paulo da Silva.
Isso foi muito desagradável, pois eu tinha a esperança de deixar o episódio todo para trás. Então o homem voltou-se, e fiquei chocado como nunca em minha vida, ao ver que era de fato Paulo da Silva. "Ele não aceitou minhas desculpas e saiu da tumba e levantou-se dos mortos para perseguir-me", pensei horrorizado. Isso era demais para mim, e caí desmaiado bem ali.
Quando finalmente recobrei os sentidos, Paulo e um grupo de amigos estavam de pé ao meu redor.
"Você está bem," perguntaram eles.
"Paulo, por que está aqui?" Eu estava petrificado.
"Por que não deveria estar? Sempre venho aqui para rezar."
"Mas o ataque do coração," comecei a dizer.
"Que ataque do coração?" perguntou ele com incrédula surpresa.
Aos poucos o véu foi se levantando, e a realidade voltou à tona. Tudo tinha sido um sonho. Paulo não morrera. Eu não tinha ido ao cemitério e não havia e-mail algum de D'us. O trauma do sonho tinha sido tão profundo que eu não percebera que estava sonhando, como geralmente ocorre quando se acorda pela manhã.
Finalmente, eu estava de volta a mim mesmo. Terminei de rezar e fui trabalhar. Para minha surpresa, eu estava desapontado pela experiência não ter ocorrido, e por não ter recebido um e-mail de D'us.
Chegando ao trabalho, um colega cumprimentou-me. "Já sabe da última sobre Max?" perguntou ele. Max, um colega nosso, era o rei da gafe, e estava sempre sujeito ao ridículo.
Eu estava para dar minha resposta costumeira: "Não acredito. O que ele fez agora?" quando, de repente, parei de supetão.
Tive visões de penas espalhadas pelo vento, flutuando por toda a cidade. Imaginei-me com uma rede de caçar borboletas na mão, correndo para lá e para cá, agitando freneticamente a rede e deixando escapar as penas. Corri mais rápido, mas tropecei nos túmulos em um cemitério frio e assustador. Em desespero, eu enviava e-mails às penas, 189 no total, mas os e-mails ricocheteavam para mim sem ser abertos, enquanto as penas continuavam a dançar para longe. Então, assisti incrédulo as penas se transformando em flechas pontudas, que se alojavam nos corações dos transeuntes inocentes.
Afastei-me rapidamente do colega, como se ele tivesse a peste ou alguma outra doença incurável. Cinquenta mil vezes já era o suficiente, e eu não iria cair na areia movediça outra vez. Eu não era tolo.
Então tomei uma decisão. Lashon hará, nunca mais. Eu sabia que seria muito difícil manter esta decisão, mas eu estava determinado a cumpri-la.
Naquele instante, compreendi que tinha encontrado a missão espiritual, sem precisar de uma revelação angélica. Não havia necessidade de viajar a locais longínquos e matar dragões fumegantes e forças demoníacas poderosas. O drama do dia-a-dia da vida, com toda sua riqueza e complexidade, oferecia milhões de oportunidades, e era um desafio e tanto.
Caminhei para fora e vi que estava um lindo dia ensolarado. Contemplei o céu claro e azul, e ofereci uma breve prece.
"Mestre do Universo, não recebi Seu e-mail, mas Sua mensagem chegou. Obrigado, D'us!"


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Combate ao ódio e intolerância




O fascismo alemão veio e se foi. O comunismo soviético veio e se foi. O antissemitismo veio e ficou.


Há alguns dias o presidente iraniano Mahmoud Ahma-Dinejad declarou que o Holocausto jamais aconteceu. Os judeus, disse ele, inventaram um "mito" dizendo que foram massacrados. Este foi um discurso perigoso da mais alta ordem, porque não foi feito por um grupo marginal de terroristas, nem por trás de portas fechadas, mas foi exibido ao vivo na televisão iraniana.

Infelizmente, este não é um incidente isolado. Há partes do mundo onde, em décadas recentes e com intensidade cada vez maior, todos os mitos antissemitas clássicos, do libelo de sangue aos protocolos dos anciãos de Tzion, têm sido ressuscitados em livros na lista dos mais vendidos e no horário nobre da TV.

Sinto-me pouco à vontade para falar sobre antissemitismo, porque para mim ser judeu

O fascismo alemão veio e se foi. O comunismo soviético veio e se foi. O antissemitismo veio e ficou.

não é uma questão de morte, mas de vida; de celebração, não de luto; de construir um futuro, não de ficar traumatizado pelo que passou.

Porém eu passei a acreditar, nestes últimos anos, que o surgimento de uma nova cepa do antigo vírus é um dos fenômenos mais assustadores da minha vida – porque aconteceu após sessenta anos de educação sobre o Holocausto, legislação antirracista e diálogo ecumênico.
Após sessenta anos dizendo nunca mais, está acontecendo de novo. Não pode haver dúvidas quanto à mais tenaz ideologia dos tempos modernos. O fascismo alemão veio e se foi. O comunismo soviético veio e se foi. O antissemitismo veio e ficou.

Para os judeus, a lembrança do Holocausto é uma dor particular. Porém num nível mais

Um ataque à diferença é um ataque à humanidade.

profundo, tem um significado para todos nós. Judeus e outros foram assassinados porque eram diferentes; porém para alguém de outra cultura ou crença somos todos diferentes; portanto um ataque à diferença é em última análise um ataque à humanidade.
Em um dos versículos mais poderosos da Torá, Moshê, pouco antes de sua morte, disse aos israelitas para não odiarem seus inimigos tradicionais, os edomitas e os egípcios (Devarim 23:8). Se eles tivessem continuado a odiar, Moshê poderia ter tirado os israelitas do Egito, mas ele não teria tirado o Egito de dentro dos israelitas. Se você deseja ser livre, precisa pôr o ódio de lado.

Portanto, talvez não seja coincidência que no dia em que o presidente iraniano negou o Holocausto, a Human Rights Watch tenha publicado um relatório sobre o assassinato de milhares de prisioneiros políticos no Irã. Projetar o ódio num forasteiro é sempre a maneira mais eficaz de desviar a crítica interna.

É por isso que temos de lutar juntos contra a manipulação pública do ódio, onde quer que ela ocorra, não importa a quem seja dirigida – se quisermos dizer realmente, "Nunca Mais".

Rabino Chefe da Inglaterra, Professor Jonathan Sacks

Fonte: Chabad